5 sinais de que você talvez seja um leitor chato

Você conhece algum leitor chato? Não? Então, cuidado, porque ele pode estar mais perto do que você pensa

Se você está lendo este texto, é porque você ama leitura, livros e tudo mais – e isso é maravilhoso. No entanto, quando se fala de leitor, sempre surge aquele tipo que sempre parece estar com um monóculo e o ego prontos para criticar de destilar sua chatice. Leituras e preferências são gostos, claro, e cada um tem o seu. Discutir opções de leituras, principalmente quando são contrárias, pode ser algo enriquecedor. Por outro lado, há aquele tipo que sempre vai ser o chato, o mala, cheio de regras e ideias fechadas – o que é irônico, pois a leitura serve para abrir perspectivas, não sedimentá-las.

Conhece alguém assim? Todos conhecemos, e creio que somos em alguns momentos aquela pessoa (acontece). Só que não dá para negar que há alguns indivíduos mais chatos que outros nesse quesito – e ler os comentários do Homo Literatus, por exemplo, dá uma enxurrada de exemplos. Aqui vão umas dicas de como identificar o leitor chato – só não nos responsabilizamos se for você mesmo.

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Faltou (insira o nome)

Gosto é gosto. Já foi dito acima: discutir gostos diferentes pode ser muito enriquecedor. Nada no mundo pode ser mais gratificante do que conhecer um autor(a) ou livro indicado por alguém ou citado naquela conversa boba. Só que nem sempre funciona assim. Há o leitor que ouve Jorge Amado e diz faltou “faltou Graciliano Ramos”, ouve Paulo Coelho e fala (grita na verdade) “faltou Machado de Assis”, ouve Tolstói e comenta (aos berros) “faltou Dostoiévski.” Nunca falta. As opções em literatura são muitas para faltar um autor ou outro. Ela é tão vasta que poderíamos passar as vinte e quatro horas diárias por décadas e não cobriríamos o que faltou. Quando dissemos “faltou (insira nome)”, não estamos olhando para a literatura ou algo bom, antes para o gosto pessoal.

 

Complexo de gênio porque leu certos livros

Certa vez, na faculdade, junto a um punhado de colegas do curso de Letras, jogávamos conversa fora falando sobre romance policial. Cada um falava do que gostava, dava dicas, enfim, falava do que gostava aqui e desgostava acolá. Eis que surge uma pessoa e interrompe quem falava para dizer: “Você está errado. Se você tivesse lido X como eu li, saberia que (longa e tediosa explicação).” Não lembro qual livro ele tinha lido, só lembro que ele tinha uma visão de mundo chata, pois ele era o único a ter lido X. É claro que certos livros são mais impactantes e importantes que outros, porém nada te faz melhor por tê-los lido ou por ser um dos poucos a tê-lo feito. Isso apenas infla certos egos e faz a pessoa se sentir o que ela não é: especial.

 

Falar mal de Paulo Coelho sem ter lido Paulo Coelho

Não se revolte. O que foi dito acima é não falar mal sem tê-lo lido, não amá-lo. No Brasil, como sempre, temos um complexo de inferioridade tremendo – e, na literatura, isso leva ao fenômeno Paulo Coelho. Fala-se mal dele por vários motivos: é mal escritor, é brasileiro, só o nosso país seria capaz de criar esse monstro etc. Pode até ser verdade. O interessante, porém, é que a maioria das pessoas que fala mal de Paulo Coelho nunca leu Paulo Coelho de fato, apenas segue na onda de xingá-lo. Eu já o li e não gostei, mesmo assim compreendo porque há quem goste e respeito. Acho que quem fala mal de Paulo Coelho sem lê-lo não passa de uma pessoa com um complexo parecido com a de dois itens acima. Todo mundo deveria lê-lo antes de julgá-lo, pois…

 

Eu não vou perder meu tempo lendo isso

Não existe nada mais chato, principalmente num leitor, que a frase “eu não vou perder meu tempo lendo isso.” Há um ar de superioridade em quem a pronuncia. É como se este indivíduo fosse talhado para as grandes obras, só as mais elevadas, e não pudesse se desgastar com aquilo que não se faz grandioso. Tenho a impressão de que o leitor que diz isso tem a certeza de que as grandes obras foram escritas apenas para o seu deleite. Se algo me consola hoje é ver que a dita “alta literatura” está cada vez mais brincando com a “baixa literatura”. Os grandes escritores vivos ou recém falecidos devem ter perdido tempo lendo isso para a nossa sorte.

 

Sou mais inteligente porque sou leitor

Clichês só são clichês por uma única razão: porque, em um nível óbvio, eles funcionam. O leitor que senta para conversar com os amigos e corrige os outros porque lê não passa de um deles. Ler não nos torna mais inteligentes, nos torna leitores. Refletir sobre o que se leu sim pode nos tornar mais compreensivos com os fatos – talvez inteligente seja uma palavra forte demais. Conheço pessoas que brandam que “o problema do mundo hoje é que ninguém lê.” Primeiro, se lê tanto quanto se lia no passado. Segundo, ler não nos torna mais inteligentes ou capazes. Muitos homens usaram essa ideia de iluminação (iluminismo, sacou?) para dizer por onde seguir e o quão bom seria o futuro. Bem, estamos no futuro deles e não vejo nada de maravilhoso, e você?

José Figueiredo Author

Coeditor do HL, participante do 30:MIN, idealizador e editor da Pulp Fiction. Um completo desastre na vida.

Comments

    José Carlos Dos Santos

    (Maio 29, 2017 - 11:47 pm)

    Mano sem maldade, se podia resumir esse teu pensamento numa cronica, num paragrafo…tem nada mais broxante do que escritor de lista. Num espaço que se propōe a discutir literatura…o minimo que se pode esperar dos escritores é criatividade.

    E sobre sua mensagem, acho que primeiro que se deveria entender que pessoas leem com ambiçōes diferentes. A humildade é sempre boa, mas geralmente quem se mete a velejar nos clássicos, nos grandes…tem um proposito diferente daquela de remar na “baixa literatura” Nem sempre leitura é apenas um passa-tempo.

    Enfim.

    Ser leitor legal é o que? Abaixar a cabeça e não expor nenhuma critica, pois todos tem gostos diferentes, nem aprofundar um pensamento, pois nem todos tem o mesmo nivel de leitura?

    Porém, concordo em outra coisa com seu texto: 9 de 10 vezes Paulo Coelho é julgado pelo seu sucesso e não pelo seus méritos. Semelhante a um certo escritor americano de histórias de terror famoso mundo a fora que não tem medo do sucesso, mas sabe que nunca vai ganhar um Pulitzer por mais que venda milhōes de livros. Já que se você é um escritor de sucesso, é ser comercial e automaticamente ruim.

    Kelly Oliveira

    (Maio 30, 2017 - 8:31 am)

    Parabéns pelo texto! Quem nunca foi um leitor chato rsrs

    Marcelo Gabriel Delfino

    (Maio 30, 2017 - 12:21 pm)

    Pois é. E o que fazer quando o redator é chato? O que fazer quando o redator, ao invés de responder pessoalmente aos supostos comentários aludidos no começo do texto, faz um texto para acusar isenção intelectual e emocional, como se estivesse acima das mesquinharias que os comentários oferecem aos montes. O que fazer? Afinal, quem dispõem de um canal de mídia e se considera acima dos meros leitores, que estão restritos a poucas palavras e não podem oferecer a grandiosidade de um texto, com chamada, imagens, perfil e outras coisas mais que só o redator possui. O que dizer do redator mesquinho, que usa seu meio privilegiado para reclamar de quem o lê, porque só a opinião dele é que é a certa?

      Mauricio Gustavo

      (junho 4, 2017 - 12:46 pm)

      Essa foi boa hhh.

    Vitão Loucão

    (junho 13, 2017 - 1:36 pm)

    Interessante. E discordo de todos os pontos. A não ser o do Paulo Coelho que de fato, é necessário lê-lo para depois fazer. Mas falando em gerais, como se pode julgar o outro de chato? A suposta chatice é apenas uma visão particular, que não necessariamente caiba na régua de todos. Então a bem da verdade, essas são características que fazem um leitor chato para o autor do artigo, não necessariamente para todos, e só.

    Oswaldo Gama Junior

    (julho 17, 2017 - 10:38 pm)

    O número 4 para mim é fundamental.
    Considerando que tenho um número finito de páginas para ler na minha curta vida, eu não vou gastá-las lendo Paulo Coelho em vez de Faulkner, E. L. James em vez de F. Scott Fitzgerald, J. K. Rowling em vez de James Ellroy.

    Para filmes sou igual, não vou deixar de assistir Bergman, Buñuel e Kubrick para assistir Michael Bay, Zack Snyder e Guillermo del Toro.

      cristian

      (agosto 7, 2017 - 10:17 am)

      Só um adendo pois não se pode generalizar nomes em especial, voce citou Michael Bay, Zack Snyder e Guillermo del Toro, mais todos esses tem filmes interessantes e Bergman, Buñuel e Kubrick tambem tem filmes chatos, assim é na literatura, todos autores tem obras boas e outras nem tanto, se não algumas intragáveis…então é melhor analisar ponto a ponto para não parecer que é apenas soberda e não inteligência seu modo de pensar.

        Oswaldo Gama Junior

        (agosto 7, 2017 - 7:24 pm)

        Me dê exemplos de filmes ruins dos três que eu citei.
        Não dá para tentar comparar Viridiana, 2001, Full Metal Jacket, Nattvargasterna, El Ángel Exterminador ou Smultronstallet com qualquer um do Bay, Snyder ou del Toro.
        Meu tempo é muito caro e essa questão é sobre a escassez do tempo e não de falta ou excesso de inteligência.
        Embora eu considere qualquer tipo de desperdício, inclusive de tempo, burrice.

          cristian

          (agosto 14, 2017 - 12:47 pm)

          A Filmografia de Bergman é imensa, duvido que so tenha filmes bons…Kubrick é mais fácil, posso citar Morte Passou por Perto, De Olhos Bem Fechados que se não são ruins, tambem não são bons. Del Toro tem O Labirinto do Fauno, A espinha do Diabo por exemplo que entrariam fácil na filmografia dos 3 que você citou. Zack Snyder tem Madrugada dos Mortos e 300, bem interessantes e até Michael Bay tem A Rocha, um exemplar de filme de ação de primeira qualidade… Negar essas obras por considerar seus criadores sem merecimento acho preconceito até por que existem realizadores bem piores..

    Mauricio Fontana Filho

    (dezembro 7, 2017 - 12:08 am)

    Cara, de boas, que texto de merda, mas por que? Eu digo que “quem lê sofre”, afinal, torna presentes mais fatores para refletir sobre questões que antes tinha como óbvias em razão de uma visão estreita – tornada abrangente pela leitura -, o que o machuca. Fonte: A náusea, Sartre. Viu como foi fácil? Fala tuas merdas mas pelo menos cita as fontes delas (isso legitima teu discurso).

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