Contos do Edgar, adaptação brasileira do mago do terror

Contos do Edgar Allan Poe com um gostinho paulistano, obsessões atuais e um fôlego novo

Nunca Mais, boa tarde
Nunca Mais, boa tarde

Contos do Edgar é uma série, brasileira, que acontece em cinco episódios (e uma temporada); foi produzida pela O2 Filmes e teve veiculação no canal Fox, durante o primeiro semestre de 2013. Produzida por ninguém menos que Fernando Meirelles.

A série se passa em São Paulo, nos dias atuais. O personagem principal é o Edgar, (interpretado por Marcus Andrade), que além do nome, tem uma aparência física pra lá de denunciadora. É também o contador das histórias. Trabalha na dedetizadora Nunca Mais. Edgar e Fotunato (o dono da dedetizadora e chefe de Edgar) são os únicos personagens fixos da série. Em cada episódio Edgar presta serviço em um local (seja residencial ou comercial) onde alguma tragédia acontecerá. Além de contador, Edgar é portador chave de diferentes objetos usados durante as tragédias.

Cada episódio da série é baseado em um conto:

1 – Berê, inspirado em Berenice

2 – Priscilla, inspirado em Metzengerstein

3 – Íris, inspirado em O coração denunciador

4 – Cecília, inspirado em A máscara da morte rubra

5 – Lenora, inspirado em O Gato Preto e O barril de amontillado

Cenário bem elaborado, repleto de detalhes (dentre eles, várias imagens do próprio Edgar) e com um clima de conto do Poe, mesmo não se passando exatamente como cada qual. Uma fotografia inspiradora, de cores bem delimitadas e detalhes muito definidos. Os roteiros foram muito bem feitos, adaptações coerentes e uma adequação ao nosso Brasil atual, contando com uma São Paulo como parte do mistério. Cada episódio trás em si uma obsessão, e o trato da loucura bem típico nos textos de Allan Poe.

serie-contos-do-edgarA adaptação não deixa nada a desejar, os episódios foram muito bem elaborados e adequados a nossa realidade contemporânea, com histórias atuais e assustadoras (e reais, sejamos sinceros) que preenchem cada minuto da exibição. É a cara de Edgar Allan Poe com um gostinho paulistano, obsessões atuais e um fôlego novo.

Essa versão brasileira paulistana trás um Edgar caricato e inúmeras referências ao original que, de tão brasileiro, o corvo perdeu o lugar para a pomba.

Você está preparado para mergulhar nessa versão?

Dayane Manfrere Autor

Comunicóloga como primeira formação se aventura agora no mundo das Letras. Colunista e revisora no Homo Literatus (as vezes também traduz). Escreve seus pensamentos no Enquanto a Chuva Caí e tem uns contos publicados por aí. Uma Shakespeareana sem cura, que ama Poe, Wilde e Tchekhov.