Entre os líderes na tabela de séries preferidas

 

Séries

Este é um espaço para falar de livros e talvez eu não devesse escrever sobre outra coisa. Vou infringir, mais uma vez, essa regra. Espero que os leitores possam me perdoar.

Não digo que sou um viciado que está sempre à procura de uma nova série, mas posso afirmar que Boardwalk Empire, True Detective e Breaking Bad são os melhores produtos televisivos que já consumi. Para quem gosta de literatura, trata-se de títulos que apresentam construções de enredo e de personagens muito bem feitas.

Apesar de não ser um caçador de seriados, sempre leio resenhas sobre eles. Numa dessas leituras, descobri que Fargo chegou ao final da terceira (e provavelmente última) temporada. Teté Ribeiro, em texto publicado na Folha de S. Paulo, diz que a série criada por Noah Hawley já pode ser igualada às maiores da história por conta de sua grande qualidade. Em outro artigo, na revista Serafina, Ribeiro enquadra a obra num clima “neo-noir”. Como leitor interessado em romances policiais, era o empurrão que eu precisava para dar play na primeira temporada.

Já tinha ouvido falar de Fargo há alguns anos. O sentimento inicial foi de repulsa, pois achava que seria um remake fatiado do clássico filme dos irmãos Coen (que aparecem na produção executiva do seriado). O primeiro episódio já deixa claro que nada disso é verdade.

A série é ótima por si só, mas é bom saber o motivo de haver tantas personagens imbecis: nos Estados Unidos, há a crença de que os habitantes do estado de Minnesota sofrem de baixo poder cognitivo, daí a grande quantidade de figuras caricatas.

Logo de início, já se sabe quem são os assassinos. A pergunta é: quem será o detetive que juntará todas as peças do quebra-cabeça? Nesse caso, a única que vê ligação entre os assassinatos ocorridos na pequena e gelada Bemidji é a policial Molly Solverson (vivida por Allison Tolman), que será atrapalhada pela falta de visão de seus superiores. No conto A carta roubada, de Edgar Allan Poe, o detetive Dupin argumenta que a polícia parisiense é limitada em muitos aspectos. Se a famosa personagem de Poe vivesse na cidade em que trabalha Solverson, diria que a polícia de lá é limitada em todos os aspectos.

Nessa primeira temporada, o vilão é uma espécie de Anton Chigurh – assassino criado pelos Coen e interpretado magistralmente por Javier Bardem em Onde os fracos não têm vez. Lorne Malvo (Billy Bob Thornton) manipula e mata pessoas com rara habilidade. O narrador de Thomas Pynchon no romance Vício inerente provavelmente o descreveria como um sujeito implacável com corte de cabelo estúpido.

Para quem gosta de referências, também fazem parte do elenco o Bob Odenkirk de Breaking Bad e Better Call Saul, a Kate Walsh de 13 Reasons Why e o Martin Freeman de Sherlock.

O melhor de tudo é saber que, a cada temporada, uma nova trama, com atores diferentes, é apresentada. De minha parte, posso dizer que os dez primeiros episódios de Fargo já estão entre os líderes de minha imaginária e pouco (ou nada) importante tabela de séries preferidas.

Murilo Reis Author

Mestrando em Estudos Literários pela Unesp, escreveu o livro de contos "Identidades secretas" (Lamparina Luminosa, 2016). É autor do blog O paralelo (oparaleloblog.wordpress.com). @murilunk