Nossas leituras favoritas de 2016

Qual é a sua leitura favorita deste ano? Saiba quais foram as nossas

Escolheu um livro só. UM só.

Sabe aquela montanha de livros que você comprou e ostentou no facebook e no instagram que leu? Ou a outra montanha de livros, à qual você está somando esses novos e mais uns que achou interessante porque leu aqui, soube por um amigo, a(o) namorada(o) mostrou. Escolhe um. UM só. Perguntinha covarde, mas só um no meio de tantos livros lidos em 2016 que te marcou. Vale qualquer um, de qualquer época e gênero.
Vem com a gente nessa!



Walter Bach – O Duplo, Fyodor Dostoiésvki

Walter duplamente dorgado com leitura


Desconfio que tio Dostô se achava um ferrado que escrevia sobre pessoas ferradas, fossem  viciados (O Jogador), potenciais problemas psicológicos (Nietóchka Niezavânova) ou gente que passou do inferno mesmo (Crime e Castigo). O Duplo foi o segundo romance dele e tem um pouco do que a gente vê nos demais, da profundidade dos personagens às suas ambiguidades, e me marcou pelo tom questionável de seu protagonista. O romance lida com o duplo, duplicata física de alguém com atos diferentes do seu original. Às vezes um duplo é chamado de gêmeo malvado (lembra do Dr. Jekyll e do Mr. Hyde?) -, mas isso vale para quem acredita que o original é tão bom ou coerente como gostaria de acreditar ser.

 

Nicole Ayres – Nêmesis – Philip Roth

Nicole posando de comportada com o livro do tio Roth

Nêmesis acompanha a história de Bucky Cantor, jovem professor de educação física que vive em um bairro judeu de Nova Jersey onde ocorre um surto de poliomielite entre as crianças, na época da Segunda Guerra Mundial. A tensão narrativa cresce progressivamente na medida em que Bucky precisa lidar com escolhas pessoais e fatos imutáveis ao longo de um verão insuportavelmente quente e exaustivo. Além de ter apreciado a obra por sua qualidade literária, ela possui, para mim, um valor ainda mais simbólico por ter sido presente de uma pessoa especial.

 

Márwio Câmara – A marca na parede e outros contos, de Virginia Woolf; e Há um mar no fundo de cada sonho, de Ramon Nunes Mello

Márwio indeciso depois de 2 mil livros

Nada fácil foi escolher um título que recebesse a alcunha de livro ou leitura preferida do ano de 2016. Por isso, este ano quis fazer diferente. Escolhi um gênero prosa e outro de poesia para comentar. De fato, dois livros que me encantaram bastante a ponto de eu viver muitas horas ao lado deles. Virginia Woolf é um caso à parte. Todos sabem sobre o quão esta escritora é uma das vozes mais importantes da literatura de língua inglesa do século 20. Conhecia seu Mrs. Dalloway, Orlando, As ondas, entre outros de seus romances, mas nada sobre os seus contos. A surpresa: além de grande romancista, esta admirável mulher também fora uma grande contista. A marca na parede e outros contos reúne as narrativas curtas mais relevantes da carreira da escritora, começando pelos seus primeiros anos até a maturidade. Impossível sair o mesmo ao ler “A marca na parede”, “Key Gardens” e “Objetos sólidos”, por exemplo. Mas há outros em que nos surpreendemos sobre o quão Virginia sabia, através do domínio e das experimentações com a linguagem, criar imagens maravilhosas e sensações surpreendentes em poucas páginas. Um belo começo para quem ainda não a leu.

Já o outro livro trata-se de um poeta que amadureceu nos últimos anos e trouxe toda a sua alma sublime e altiva para dentro de seu recente trabalho. Há um mar no fundo de cada sonho é um mergulho na vida interior deste jovem artista de 32 anos, que concatena em versos concisos o que há de mais belo, místico e revelador em cenas triviais do nosso dia a dia. A natureza o tempo todo se faz presente e protagoniza grande parte das suas linhas, carregadas pelo mais refinado lirismo e de boas tiradas com a linguagem. Por muito tempo vivi com esse livro na mochila e lia para que o meu dia ficasse completamente aceso de pura poesia.

 

Winter Bastos – Alice no País do Espelho, de Lewis Caroll

Winter antes de se perder dentro do espelho

Entre minhas leituras deste ano, destaco Alice no País do Espelho (Throught the Looking-glass), de Lewis Carrol. Trata-se de um livro publicado em 1871 como continuação às aventuras de Alice no País das Maravilhas. No insólito mundo por trás do espelho, são levantadas questões ainda mais desconcertantes que na obra anterior. Alice existe mesmo ou é só um sonho do Rei Vermelho? E nós, existimos?

 

Dora Carvalho –  A simples beleza do inesperado, de Marcelo Gleiser

Nossa cientista Dora

Dois livros de ficção científica me arrebataram em 2016: O fim da eternidade de Isaac Asimov e a coletânea A história da sua vida e outros contos de Ted Chiang. Mas a grande surpresa também tem a ver com a ciência – o mais recente livro do físico brasileiro Marcelo Gleiser que, com extrema elegância e simplicidade, carrega o leitor pela mão e encanta ao falar de uma maneira delicada e envolvente sobre as grandes descobertas científicas do último século. Gleiser utiliza metáforas da natureza, como o comportamento dos peixes, e faz a analogia com os fenômenos estudados pela Física. É poética a forma como o autor descreve as teorias da Cosmologia, fazendo referências a Galileu Galilei, Descartes, Isaac Newton e filósofos gregos. Gleiser nos convida a pensar: “Há outros universos lá fora?”; “Afinal, o que são eventos sobrenaturais?”, ou ainda, “Queremos ver mais do que podemos. Sabemos menos do que gostaríamos.”

A obra mostra que a ciência pode ser tão fantástica quanto a mais criativa das narrativas de ficção e intriga nosso imaginário a buscar novos sentidos para o dia a dia e encontrar poesia nos fenômenos naturais.

 

Jefferson Figueiredo – Will you please be quiet, please? – Raymond Carver

Jefferson pediu para não ser zoado com a foto, porém…

Comecei a ler Raymond Carver porque todo mundo falava que era bom. Meus escritores preferidos falam/falavam bem dele. Os amigos e conhecidos que o leram também amaram – inclusive os chatos que nunca gostam de nada. Ele é o novo Tchekhov, diziam, e não estavam errados. Ele narra as pequenas crises da classe média americana na década de 1970-1980, mas que poderiam ser às crises dos nossos vizinhos ou as nossa em 2016-2017. Direto e lírico, Carver mostra de forma humana a mesquinhez e a origem dos reais problemas do cotidiano. Um livro contemporâneo para quem gosta de contos e atribulações cotidianas.

 

Nara Vidal – The man who invented fiction – William Egginton

Nara e a invenção da ficção

Neste ano falou-se muito, com razão, dos 400 anos da morte de Shakespeare. Falou-se menos, sem razão, dos 400 anos da morte de Cervantes.

Esse livro é um deleite para quem gosta de teoria literária, para quem se interessa em estruturas e estilos na ficção e para quem simplesmente gosta de literatura e boas discussões em volta dela.

Aqui, o autor apresenta argumentos para tentar justificar o título pretensioso. São quase duzentas páginas na tentativa de confirmar que Cervantes inventou a ficção, o romance, contrapondo-se  à sátira pura e simples que já tinha sido estabelecida em teatros da Europa, com personagens rasos e caricatos, ainda que engraçados ou tragicômicos. O título, infelizmente, é um exagero. No entanto, se ignorarmos a pompa do título, temos diante dos olhos um trabalho de investigação e amor à narrativa de Cervantes, o que já bastaria para uma leitura atenta. É, portanto, uma pena que o autor tenha soado tão ambicioso ao nomear sua pesquisa. Mas isso não tira de forma alguma o mérito do conteúdo do livro. Somos relembrados da complexidade dos relacionamentos, da empatia na identificação dos personagens, da amizade tão profunda e incondicional entre Sancho e Quixote.

Além de toda a celebração das dimensões da obra, William Egginton nos faz voltar na subjetividade da linguagem, nas famosas metáforas, na riqueza humanística que Cervantes propôs aos seus leitores: emocionantes delírios pessoais que ora são gigantes, ora são apenas moinhos.

 

Vilto Reis –  O amor é um cão dos diabos – Charles Bukowski

Vilto repousa com seus diabos literários

2016 foi um ano difícil. Péssimo em vários sentidos. Perdi minha mãe, perdi outra pessoa que gostava, entrei em depressão, tive problema com o álcool. E nesses momentos, pelo menos para mim, a literatura mais elaborada perde seu brilho. Então surge Bukowski. Já havia lido algumas coisas deles, mas este ano ele me salvou. Li seus contos, crônicas, romances e, quatro vezes, os poemas contidos em O amor é um cão dos diabos. É um livro de poemas sujos. A vida é representada como ela é, um ser humano nu em fase terminal. Entre uma trepada com um despertador, conversas com prostitutas, miséria e fome, um sem-número de ironias e conselhos sobre beber mais cerveja para se tornar escritor, temos a vida retratada por um cara sem ambições e preguiçoso – um antimodelo americano, o bebum realista dentro de cada um de nós. Por isso, bebi este livro em dose dupla. E recomendo. Afinal de contas, como diz o trecho de um poema deste livro: “alguns suicídios jamais são/ registrados.”
Por pouco, o meu não foi.

 

Dayane Manfrere – Carvão Animal – Ana Paula Maia

Óculos de leitura da Dayane feito com carvão animal

Precisei recuperar o fôlego algumas vezes durante a leitura. O livro é claustrofóbico. Uma crítica social intensa sobre pobreza, simplicidade, trabalho, dores e sobrevivência. Personagens quase animalescos, mas que extraem o humano de cada um de nós. Aquele lugar sem vida, sem cor e esperança traz à tona uma solidão que sentimos a emergência de soltar. A claustrofobia do livro não vem apenas da sua literatura, as personagens também estão presos, sem ar em uma vida dura e com gosto de fuligem. O livro começa com uma constatação simples e triste: a única coisa que restará de nós são os dentes. Por sinal, dentes e fogo são duas personagens do livro. Carvão Animal vem daí; um derivado dessas duas coisas e que rodeia todo o enredo. Em Abalurdes, por sinal, o carvão é a vida e a morte.

 

Miquéias Sartorelli – Grandes Esperanças, Charles Dickens

O sorriso esperançoso do Miquéias

Em Grandes Esperanças, a trajetória do jovem Philip Pirrip é escrita com a leveza de quem lança um olhar generoso sobre os dramas do outro e, ao mesmo tempo, com a crueza de quem denuncia nesse percurso individual os problemas estruturais de seu tempo. Eis um dos maiores méritos desse romance admirável de Charles Dickens, redigido entre dezembro de 1860 e agosto de 1861. O livro é dividido em três grandes partes, ou melhor, enfeixa três volumes, e acompanha o vaivém dos sofrimentos e das esperanças de Pip, menino órfão que, como num golpe de sorte, tem sua vida dura no campo mudada e seu desejo de se tornar um cavalheiro enfim concretizado. No entanto, essa vida idealizada de nobre em Londres não está imune a bruscas transformações, isto é, a inesperadas revelações.

 

Bruna Kalil Othero – Da morte, odes mínimas – Hilda Hilst

Bruna ficou sem palavras e sem boca depois da leitura

Para quem me conhece minimamente, já sabe que a Hilda Hilst é a rainha da minha literatura, guia maior, escritora preferida. Esse livro dela me encantou porque, além da qualidade impecável dos poemas, conta também com aquarelas assinadas pela autora. Da morte. Odes mínimas, é uma coletânea de poesia que gira em torno dessa temática da morte, dos seus mistérios, caminhos e descaminhos. 2016 foi um ano mórbido, e esse livro me veio em boa hora. Vale muito a leitura, para que quem ainda não conhece Hilda, a conheça; e para quem já a conhece, se apaixonar ainda mais pela sua vasta obra.

 

Maik BarbaraHistória de Uma Viagem à Terra do Brasil – Jean de Lery

Maik espantado com as histórias

Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.

Não inventaram uma máquina do tempo (ainda) para eu poder ver o passado como realmente foi, então, por caminhos misteriosos consegui uma cópia da 1ª edição Brazuca de um livro traduzido por ninguém menos que Monteiro Lobato. Publicado aqui no Brasil em 1926, mas o retrocesso no tempo não para aí, apenas começa. A história de Jean de Léry vai muito além. Com o título em português de História de Uma Viagem à Terra do Brasil, o autor narra nada menos que os acontecimentos desgraçados que o acometeram durante sua viajem às terras tupiniquins, ou seria melhor dizer tupinambás. Pois sim, o cara veio para o Brasil em 1556, exato: mil, quinhentos e cinta e seis, com a ideia de converter nativos de nossas terras à religião santa, superior e que te matava se não se convertesse. Enfim, massacres e genocídios à parte, o então seminarista em uma emboscada indígena acabou preso como prêmio de guerra por uma tribo tupinambá e por 8 meses ficou cativo por ali. Para quem não sabe, no Brasil tal como em muitas outras tribos primitivas ao redor do mundo a ideia de contrair os poderes, força, bravura dos entes mortos era tamanha que as pessoas comiam a carne humana daqueles que se foram, ou que eles fizeram ir, a fim desses atributos serem passados à frente. Pois bem, com Léry não seria diferente. Um quase Deus que veio às terras brasis detentor de sabedoria, roupas e objetos nunca vistos, seria perfeito para conseguirem tudo que precisavam do Mundo Velho, ao menos foi o que Jean deduziu. Por meses assistiu rituais de canibalismo e aguardava desesperado sua vez. Porém, como todos bem devem ter deduzido, se ele escreveu esse livro, em certo ponto fugiu. Sim, por sorte do destino e demonstrações plenas de covardia absoluta ele se salvou. Covardia, pois os episódios que o salvaram momentaneamente de ser comido era o pânico e incapacidade de segurar suas fezes e urina tamanho o medo quando ameaçado de entrar no ritual canibal. Os índios não queriam incorporar tamanha bravura para si. Ele fugiu, não sem problemas, e conseguiu voltar a trancos e barrancos para a França. Lá escreveu o livro de suas desventuras Brasileiras, publicou, se tornou best-seller na época, perdurou, e na segunda década do século vinte Lobato colocou as mãos sobre o texto e publicou como parte de uma série de livros desse tipo.

Um livro de relatos e confissões, histórico, narrativa da vida real daquele povo, Brasileiros originais, na época do descobrimento. Um presente para leitor de ficção nenhum botar defeito: vi a vida real ser melhor e mais louca que os mundos imaginários dos livros contemporâneos.

Ou o livro e filme que você lê e vê não ficam muito melhores quando no final há aquela frase: BASEADO EM FATOS REAIS?

 

Eliane Boscatto – O Homem que Amava os Cachorros – Leonardo Padura

Eliane que ama os livros

A leitura que mais me impressionou este ano foi o romance histórico O Homem que Amava os Cachorros de Leonardo Padura. Embora extenso, são 600 páginas, o livro nos prende a atenção como um thriller cinematográfico.

O romance tem como cenário acontecimentos importantes do século XX: a Revolução Russa, a segunda Grande Guerra, a Guerra Civil Espanhola, para compor os eventos que resultaram no plano para assassinar Leon Trótski a mando de Stálin. Quase todos esses fatos são de nosso conhecimento, mas as conexões entre eles, o retrato de época e a narrativa do autor, fazem do livro uma leitura muito interessante. Além de percorrer a história política do século XX, o autor consegue captar com sensibilidade  a dimensão humana dos protagonistas, sem ser demasiado indulgente, ao mostrá-los como simples mortais sujeitos a sentimentos e fraquezas comuns a todos nós, como medos e dúvidas. Trótski, tendo que fugir da perseguição de Stálin e já no exílio, apesar de convicto, chega a questionar a si mesmo se teria valido a pena ter sacrificado a própria família em nome da revolução. Mas, também ele havia matado, porém por outras razões: em nome da liberdade e da igualdade, atos contraditórios que se repetem continuamente desde que o mundo é mundo.

O romance mistura ficção e realidade, mas acaba pouco importando se tudo o que está nas páginas aconteceu de fato daquela forma ou não, mas sim o que tudo significou para os rumos políticos que o mundo tomou posteriormente. O mundo estava então dividido entre o poder de dois tiranos históricos: Hitler e Stálin, e o legado que eles deixaram representa até hoje os extremos ideológicos com consequências previsíveis, que seria bom a humanidade evitar. É possível concluir que os crimes de Hitler foram de alguma maneira julgados e punidos, ou pelo menos com o fim  da guerra, expostos para o resto do mundo, mas o mesmo não se pode dizer dos crimes de Stálin porque aconteciam  dentro dos limites da antiga União Soviética. O lado que surgiu para supostamente salvar o mundo do fascismo, estava fragmentando-se, perdera-se no meio do caminho e passara a incorrer nos mesmos erros que combatia. O personagem do assassino de Trótski, um jovem revolucionário espanhol com uma fé cega na ideologia, acaba por ser usado pelo regime de Stálin para cumprir uma missão, e com o passar dos anos faz profundas reflexões sobre tê-la levado a cabo.

O narrador, um personagem fictício, toma contato por acaso com esse passado histórico, muitos anos depois passeando com seu cachorro em uma praia cubana, e o romance vai então se desenrolando. Um detalhe que não passa despercebido são as referências que o narrador faz ao seu irmão homossexual que fora perseguido pelo regime cubano. Entre tantas questões que o romance possa provocar, fica mais uma: até que ponto o pensamento progressista é tão progressista quanto se supõe?

Leonardo Padura nasceu em Havana, Cuba, em 1955, é escritor e jornalista, considerado um dos melhores do seu país.

 

Fabrício Bittencourt – 1984 – George Orwell

O Fabrício parou dentro do livro, por isso não aparece na foto

George Orwell sem dúvida está entre os mais destacados escritores do século XX. Com sua obra intitulada de 1984 Orwell destila seu talento literário em uma obra permeada por um cenário de distopia. A dignidade humana desaparece, juntamente com suas emoções e palavras. A liberdade de pensamento torna-se impossível e tudo acaba encontrando-se subordinado a política. O governo totalitário demonstrado na obra permite ser compreendido como uma representação de como funcionam as ditaduras. 1984 é uma obra singular na literatura mundial e que vale a pena ser lida e relida.

 

Paulo Monteiro – Retalhos – Craig Thompson

Paulo e seu livro de Retalhos

Eu estava na dúvida sobre qual livro foi meu favorito em 2016, pois tive alguns favoritos este ano. Porém o que mais me marcou foi a graphic novel de Craig Thompson chamada Retalhos. A obra é uma autobiografia de Thompson , da infância até o começo da vida adulta.
Thompson é muito sensível em contar sua história. Sensível em mostrar o processo de um menino religioso que vai descobrindo o mundo secular, mostrar seu conflito entre a religião e a paixão por desenhar, e o primeiro amor. Durante a leitura me vi em muitas situações que Thompson passou, me identifiquei muito com a história. Thompson é incrível.

 

Carolina Prospero – Rei Lear – Shakespeare

Carolina só de olho no bardo

A melhor coisa que li em 2016 foi publicada há mais de quatrocentos anos, o que só prova o quão incrível é a obra de William Shakespeare. Estou falando do Rei Lear, peça que eu tinha negligenciado no catálogo do bardo até agora. O que mais me agradou foi a destruição do clichê do “velho sábio”, noção que acompanha a literatura (e a humanidade) desde sempre. Lear é um rei idoso que comete injustiças devido a sua vaidade sem limites e paga um alto preço por esse engano. A meu ver, é uma narrativa atual e necessária, que nos mostra o quanto é importante ter a humildade de se colocar, na vida, como um eterno aprendiz.

Walter Bach Author

Colaborador do Homo Literatus desde 2014, demente profissional (vulgo editor) desde 2016.