Os indicados pelo Homo Literatus ao Nobel de Literatura 2013

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Na eminência da divulgação do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura deste ano, em Outubro, os colunistas do Homo Literatus organizaram uma brincadeira: os escritores que eles indicariam ao Nobel, com direito a defesa e tudo.

Para quem não sabe, o Prêmio Nobel de Literatura é considerado um dos prêmios literários mais importantes do mundo. Anualmente, ele é concedido a um escritor pelo conjunto da sua obra. A escolha é feita pela Academia Sueca e anunciada no mês de outubro. Geralmente, divulgado o vencedor, há uma série de discussões, ressaltando sempre escritores “injustiçados” que deveriam ter ganhado o prêmio (como James Joyce, Vladimir Nabokov, Franz Kafka e Jorge Luis Borges).

Mas vamos aos escritores indicados (e às defesas bem humoradas). A pergunta foi “quem você indica ao Nobel e por quê?”, confira as respostas:

Cecilia Garcia – Por que eu quero Mia Couto

Note que eu disse que quero, não que acredito que ele vá vencer. Digo isto por que ele anda tão “na moda” (já tá até em lista de Vestibular, vejam vocês) que pode acabar sendo deixado para a próxima – além do que, há o grande favoritismo do Murakami. Torço pelo Mia por que nunca me recuperei do amor que sinto por O fio das missangas, cheio de força, realidade e poesia, daquele jeito que eu já disse que gosto: enche de porrada, mas vem junto de uma enxurrada de carinho.

Mia Couto
Mia Couto

Márwio Câmara – Rubem Fonseca, o mais cotado escritor brasileiro ao Nobel

Porque precisamos ter um escritor brasileiro entre os contemplados com o Nobel de Literatura. E não vejo outro contemporâneo senão o próprio Rubem Fonseca, que começou a escrever já na maturidade, aos quarenta anos, na década de 60. Teve alguns livros proibidos, em plena Ditadura Militar, porém sua prosa ágil, contundente e sofisticada, que oscila entre o brutalismo e o cinematográfico, fez com que o escritor elevasse a marginalidade e o caos da vida urbana brasileira a patamares significativamente elevados, sendo contemplado por inúmeros prêmios no Brasil e no exterior. Desde a década 60, nossa prosa nunca mais foi a mesma, e sua influência é inegável entre as gerações.

Rubem Fonseca
Rubem Fonseca

Vilto Reis – Murakami, o primeiro Pop do Nobel

Tenho vários motivos para indicar o Murakami, mas um deles é o fato de ele ter uma “pegada” mais pop. Além disso, ele foge um pouco da literatura realista, praticando uma espécie de fantasia ou surrealismo pautado na realidade. Mesmo que as apostas sejam muito favoráveis a ele, considero difícil que a academia o premie, justamente por esta característica de suas histórias que citei. Mas caso ele leve, fantasio que na premiação vai tocar jazz ou alguma canção dos Beatles, pelo menos, a partir do que ele escreve.

Haruki Murakami
Haruki Murakami

Mike Sullivan – Philip Roth, escrita ousada, original e magistral

Cotado várias vezes como favorito ao prêmio, mas nunca ganhador, já está mais que na hora de Philip Roth ser laureado com a mais alta honraria literária. Com uma escrita ousada, original e magistral, Roth se faz merecedor. Ao longo de sua carreira, os diversos prêmios já alcançados só confirmam o seu prestígio e talento: em 1997, recebeu o Pulitzer por Pastoral Americana; em 1998 ganhou o National Medal of Arts na Casa Branca; recebeu duas vezes o National Book Award e três vezes o PEN/Faukner Award; é o único escritor vivo cuja obra está sendo publicada pela Library of América.

Philip Roth
Philip Roth

Edson Weigert – Milan Kundera, brilhante ao falar sobre a velocidade do tempo, da morte, da velhice, do amor

Ele deveria ser o Nobel por falar como cria o personagem principal no romance A Brincadeira (Onde personagens reais, sua esposa, seu agente e o próprio Kundera, interagem com personagens ficcionais.). Cria a protagonista, um personagem profundo, rico em detalhes e comovente, a partir de um aceno de mão que uma mulher qualquer faz em uma piscina pública de Praga. A descrição de como o personagem nasce no próprio romance é algo brilhante. Não esquecendo que ele é dono de um dos maiores romances do século XX, A Insustentável Leveza do Ser. Intelectual, brilhante, criativo, cínico e maldito, esse deveria ser o “check-list” para disputar o Nobel e Kundera marca x em todas as opções.

Milan Kundera
Milan Kundera

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Estas foram as opiniões de alguns dos colunistas do site (inclusive a minha, famigerada e clichê), lembrando que foi tudo em tom de brincadeira – mas como dizem, toda brincadeira tem um fundo de verdade.

O negócio é esperar a divulgação do resultado para ver se acertamos algum.

E você, quem indicaria ao Nobel e por quê?