10 autores e seus vícios

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De Dostoiévski a Hemingway, escritores aclamados têm lutado, ou nem tanto, contra uma variedade de vícios. Seja por substâncias ilegais, remédios, sexo, jogos de azar (ou coisas ainda mais estranhas), no decorrer da história vários grandes da literatura sofreram devido aos vícios, que influenciaram tanto suas vidas quanto suas obras. Confira 10 casos curiosos, e alguns um tanto quanto bizarros:

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Elizabeth Barrett Browning

Autora de Sonetos da Portuguesa.

Vício: Ópio.

Citação: “Ópio – ópio – noite após noite!”

Elizabeth começou a usar ópio quando tinha apenas 15 anos, para tratar de uma lesão na medula. Por volta dos 30, ela foi acometida por uma doença que atacou seu coração e pulmões, e em 1845 se tratava com 40 doses diárias de extrato de ópio, uma quantidade altíssima. Conforme ela escreveu para seu irmão preocupado: “Meu ópio vem para manter meu pulso de vibração e desmaios… para me dar a compostura correta e o ponto de balanço do sistema nervoso. Eu não tomo para o “meu espírito” no sentido usual, você não deve pensar uma coisa dessas.” Questionável, Mrs. Browning! Questionável.

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Paul Verlaine:

Autor de Poemas Saturninos e Poemas Malditos. 

Vício: Absinto

Citação: “Eu tomo com açúcar!”

Bem, era claramente a coisa a se fazer – quem poderia culpá-lo? Baudelaire, Verlaine e Rimbaud, todos eram devotos da fada verde, mas Verlaine era particularmente mais fervoroso. Quando ele e Rimbaud romperam seu relacionamento, Verlaine flutuou para dentro de uma fúria movida a absinto e atirou no braço de seu ex-amante, acabando na cadeia por dois anos. No final de sua vida, pobre e sozinho, Verlaine abandonou todos os seus vício – exceto o absinto, é claro. Reza a lenda que ele bebeu mesmo em seu leito de morte.

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Fyodor Dostoiévski 

Autor de Crime e Castigo, Notas do Subsolo e O Jogador. 

Vício: Jogos de azar

Citação: “Toda vez que eu me aproximo do salão de aposta, assim que eu ouço, a dois quartos de distância, o som do dinheiro sendo posto na mesa, eu quase tenho convulsões” (De O Jogador)

Em meados de 1860, Dostoiévski enfrentava uma fase difícil – sua mulher e seu irmão faleceram, e ele entrou em depressão profunda, além das imensas dívidas deixadas. Ele se tornou viciado em jogos de azar, particularmente roleta, a qual, precisa ser dito, não ajudou muito sua situação financeira. Supostamente, ele apressou o final de Crime e Castigo por estar precisando urgentemente de um adiantamento de sua editora, e simultaneamente dobrou O Jogador  a fim de saldar dívidas de jogo.

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Ayn Rand

Autora de A Nascente e A Revolta de Atlas. 

Vício: Anfetaminas.

Citação: “Existe alguma dúvida de que o vício é um escape de um estado interno insuportável, onde apenas a realidade não é capaz de suportar, de uma mente atrofiada que nunca pode se destruir totalmente?”

Enquanto estava escrevendo A Nascente, o médico de Ayn Rand receitou a ela Benzedrina como um anti-fadiga. A partir de então, ela tomou anfetaminas – derivadas de Dexedrine e Dexamyl – ao menos uma vez por dia por 30 e poucos anos, alegando por vezes, que era algo para controle de peso. Pessoas próximas a ela culparam culparam as drogas por seus humores instáveis, suplicando-lhe para parar, mas apesar de tudo, os conselhos não surtiram efeito.

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James Joyce

Autor de Ulysses. 

Vício: Flatulência (sim, acredite (na falta de palavra mais adequada): peidos!

Citação: “Eu acho que eu conheço o peido de Nora em qualquer lugar.  Eu poderia escolher corretamente o dela em uma sala cheia de mulheres a peidar. É um ruído bastante feminino, não como o peido úmido que eu imagino que as mulheres gordas têm.  É súbito e seco, e sujo, como uma garota que foi deixada de fora da diversão em um dormitório escolar a noite. Eu espero que Nora não pare de peidar no meu rosto para que eu conheça seus cheiros também”.

Isso talvez pareça exagero, classificar Joyce como verdadeiramente viciado nos peidos da esposa, mas se você ler essas cartas (muito, muito obscenas), perceberá que ele tinha mais do que um mero interesse neles. Ele era, no mínimo, obcecado, mas pensamos que as frases de saudade mostram mais do que um homem obsessivo – retratam um homem viciado.

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William S. Burroughs

Autor de Almoço Nu e Junkie. 

Vício:  Heroína

Citação:Se você cheira, come ou aspira isso pelo rabo, o resultado é o mesmo: vício”.

O vício de Burroughs por heroína não é nenhum grande segredo. Ele conviveu com a droga praticamente a sua vida toda, e muitos de seus trabalhos mais conhecidos, são na maior parte semi-autobiográficos, reflexões sobre sua própria experiência com a heroína. Burroughs vendeu heroína em Greenwich nos anos 40. Na época de sua morte ele estava em um programa de manutenção à base de Metadona.

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Charles Dickens

Autor de Oliver Twist.  

Vício: O necrotério

Citação: “Eu sou arrastado ao necrotério por uma força invisível”.

Aparentemente, Dickens não conseguia fica longe do necrotério. Ele gastava dias lá, assistindo corpos entrarem, serem checados, preparados e armazenados. Não pense que Dickens foi o primeiro artista a ter fascinação por cadáveres, mas geralmente eram artistas “visuais” e que sentiam a necessidade de avaliar a forma humana. Dickens descrevia a força que o levava até o necrotério como “a atração à repulsão”, a qual ele supostamente tinha que obedecer. Tudo bem assim, desde que ele não se tornasse a atração dessas outra coisa.

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Ernest Hemingway

Autor de O Velho e o Mar e Por Quem os Sinos Dobram. 

VícioÁlcool

Citação: “Sempre faça sóbrio o que você disse que faria bêbado. Isso vai ensiná-lo a ficar com a boca fechada”.

Embora, sem dúvidas, existam muitos notáveis escritores viciados em álcool (Dorothy Parker, John Cheever, Fitzgerald, etc.), o líder de todos tem que ser ele. Um exímio alcoólico na maior parte da sua vida, começou a beber ainda mais nos anos 50, para combater feridas causados por uma série de acidentes. Seus hábitos de bebida viraram uma espécie de lenda, sendo creditado a ele a crianção de várias bebidas, incluindo o daiquiri e o mojito. Isso parece improvável, mas podemos afirmar que ele certamente criou o Papa Doble.

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Honoré de Balzac

Autor de A Comédia Humana. 

Vício: Café

Citação: “Muitas pessoas dizem que café as inspira, mas, como todos sabem, café apenas faz as pessoas chatas ainda mais chatas”.

Balzac alimentava sua escrita com algo em torno de 50 copos de café por dia – até isso se tornasse insuficiente, fazendo ele começar a comer grãos torrados, uma tática que ele mesmo descreve como “um horrível e brutal método, que eu recomendo apenas para homens com excessivo vigor, homens com cabelo escuro e manchas na pele, homens com grandes mãos e pernas como pinos de boliche”. O café, escreveu, “brutaliza os forros do estômago como um Wagon master abusa de um pônei, o plexo inflama, faíscas atiram de todo o lado até o cérebro. Daquele momento para frente, tudo se agita. Ideias marcham rapidamente, como batalhões armados para uma luta legendária, uma batalha furiosa. Memórias carregam, erguendo bandeiras, a cavalaria de metáforas desdobra com um magnífico galope, a artilharia lógica corre para cima, sob as ordens da imaginação, atiradores surgem da sombra e do fogo, formas e sombras e personagens criam vida, o papel é preenchido com tinta – para o trabalho noturno começar e terminar com torrentes de águas negras, como uma batalha começando e terminando em pó preto”.

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Lord Byron

Vício: Sexo

Citação“Ah, o amor de uma mulher! É sabido/ Pode ser adorável ou uma coisa terrível”.

Lord Byron, ao que parece, era viciado em sexo. Não apenas ele teria dormindo com 250 mulheres (sem falar dos homens) em Veneza em um único ano, como também deitou-se com Lady Caroline Lamb (que chamou de maluca, má e perigosa de se conhecer), sua prima Anne, com quem se casou depois, e sua única meio-irmã. Sem dúvidas, 250 mulheres em um ano pode ter sido apenas o trabalho de um conquistador voraz, mas Byron tinha um hábito para memorizar suas amantes, o que nos faz certo de seu vício: para cada conquista, ele tirava um tufo de pelos pubianos do parceiro e guardava em um envelope ordenadamente marcado com o nome dele ou dela. Nos anos 80, esses envelopes eram arquivados na editora de Byron. Diga comigo: eca!

Texto adaptado do The Atlantic