10 livros de escritores argentinos que você precisa ler

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Recentemente, a agência argentina de notícias Telam divulgou uma lista de dez livros argentinos memoráveis, publicados no século XX, reconhecidos no país e no mundo. A lista é alusiva ao Dia da Escritor, comemorado por lá em 13 de junho (no Brasil se comemora no dia 25 de julho), dia de nascimento do poeta, ensaísta e periodista, Leopoldo Lugones. A festa foi instituída pela Sociedad Argentina de Escritores (SADE), fundada em 1928, pelo escritor já citado.

Mas vamos à lista, que traz alguns títulos conhecidíssimos do leitor brasileiro; e outros nem tanto.

"O Aleph", capa da Companhia das Letras (2008)
“O Aleph”, capa da Companhia das Letras (2008)

1. O Aleph (El Aleph no original) – Escrito por Jorge Luis Borges em 1949, é uma peça fundamental da literatura em espanhol do século XX. Os dezessete contos integram uma das produções mais emblemáticas do autor. Com contos como o próprio O Aleph, Emma Zunz, A história do guerreiro e da cativa, Biografia de Tadeo Isidoro Cruz, entre outros, nesta coleção toda a complexidade e sofisticação do universo borgiano se manifesta em seu grau mais intenso. A vida, a morte, o infinito, Deus e dezenas de labirintos nos recebem nas linhas deste livro que é um dos imprescindíveis quando se fala na literatura argentina.

2. O Jogo da Amarelinha (Rayuela no original) – Publicado em junho de 1963 por Julio Cortázar, é verdadeiramente um marco da narrativa latino-americana. Exercício narrativo transbordante, vanguardista, projeto de antirromance, O Jogo da Amarelinha desde sua publicação gerou uma enorme repercussão e integrou, junto com Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, Batismo de Fogo, de Mario Vargas Llosa, e A morte de Artemio Cruz, de Carlos Fuentes, o seleto grupo de romances emblemáticos do que se chamou nos anos sessenta de o boom da literatura latino-americana.

3. Operação Massacre (Operación masacre no original) – Escrito em 1957 por Rodolfo Walsh, é uma obra inovadora na literatura argentina do século XX. Adiantou-se no gênero de ficção jornalística ou romance testemunhal, relatando os feitos acontecidos nos fuzilamentos de José León Suárez, em 1956, durante a ditadura militar que depôs o General Perón no ano de 1955. A dinâmica da história, escrita com impulso de investigação, envolve o leitor na sensibilidade de pensar no feito trágico que se narra a partir do ponto de vista de cada uma das vítimas.

4. Cicatrices (não traduzido) – De Juan José Saer, publicado em 1969. Em 1º de maio, Luis Fiore, um metalúrgico, assassina sua mulher. Este episódio dá partida às quatros histórias que sustentam este romance chave na narrativa do autor e na literatura argentina contemporânea. Cicatrices, além de ser um de seus romances mais bem sucedidos, é uma boa maneira de entrar num inverso tão vasto como o da obra de Juan José Saer.

5. Contos de amor, de Loucura e de morte (Cuentos de amor, de locura y de muerte no original) – Esta é uma menção especial da agência de notícia, pois Horacio Quiroga é um escritor uruguaio, mas viveu boa parte de sua vida na Argentina; e é muito querido pelos hermanos. Contos de amor, de Loucura e de Morte, escrito em 1917, é uma obra com dezoito contos que abordam a loucura humana, o amor corrompido, a morte, vícios, sempre com a presença da natureza, que protagoniza muitos de seus relatos. Histórias famosas e obscuras, como A Galinha Degolada, O Almofadão de Penas e O Solitário, têm sido exemplos da narrativa de suspense e terror que chegou por Quiroga à literatura argentina.

"Os sete loucos", capa da editora Cavalo de Ferro
“Os sete loucos”, capa da editora Cavalo de Ferro

6. Os Sete Loucos (Los siete locos no original) – De Roberto Arlt. Remo Erdoisain, sitiado pela solidão e falta de dinheiro, decidiu se integrar às hostes do Astrólogo, líder de uma sociedade secreta destinada a acabar com a ordem das coisas mediante uma revolução financiada por uma rede de bordéis liderada por O Rufião melancólico. Editado em 1929, Os Sete Loucos é um dos pontos mais altos da literatura argentina do século XX, em que o pessimismo existencial, perder o sentido, mas também a reflexão política e filosófica na boca de personagens inesquecíveis constroem uma história impressionante.

7. A Invenção de Morel (La invención de Morel no original) – Com dois sóis e duas luas no céu, Bioy Casares entregou à literatura esta obra sublime da literatura fantástica em 1940. Um fugitivo que escapa de uma ilha, uma história de amor e descobrimento de uma máquina alucinante para tentar, em vão, derrotar o tempo e a morte. A Invenção de Morel é uma história com mecânica de narrativa perfeita e deliciosamente escrita.

8. Zama (mesmo título nos dois países) – Escrito em 1956, em horas furtivas da redação do jornal Diario de Los Andes de Mendoza, onde trabalhava como subdiretor e correspondia no diário La Prensa de Buenos Aires, Zama é o primeiro romance de Antonio Di Benedetto e ao mesmo tempo sua obra prima. O livro narra a espera de Diego de Zama, um funcionário americano do império colonial espanhol, nos fins do século XVIII. A demora em Assunción, onde Zama aguarda um cargo melhor e outra cidade do império, organiza este romance sobre a espera e a frustração, sobre o absurdo de toda a existência. Obra mestra desde sua concepção formal, Zama também introduz os problemas que o existencialismo estava plantando naqueles anos no âmbito da narrativa latino-americano, além de liberar a prosa das celas escuras do regionalismo.

9. Respiração Artificial (Respiración artificial no original) – Publicado em 1980 por Ricardo Piglia, em plena ditadura militar, é um dos romances de maior êxito de seu tempo. Emilio Renzi, um jovem escritor, reencontra Marcelo Maggi, seu tio e homem envolto num escândalo familiar que, depois de sua passagem pela prisão, vive em províncias diferentes, dedicado a investigar a vida de Enrique Ossorio, um colaborador remoto/espião da era Rosas. Através dele, Renzi encontra com Don Luciano, um ex-senador que há anos está numa cadeira de rodas e é dono de um tesouro familiar: um baú cheio de papéis velhos que pertenceu a Osorio.
Romance complexo, ensaístico e erudito, Respiração Artificial abre a década de oitenta para a narrativa dos hermanos e coloca Piglia no centro do sistema literário argentino.

"Os Pichicegos Malvinas - Uma batalha subterrânea", capa da Casa das Palavras (2007)
“Os Pichicegos Malvinas – Uma batalha subterrânea”, capa da Casa das Palavras (2007)

10. Os Pichicegos Malvinas – Uma batalha subterrânea (Los Pichiciegos no original) – Escrito em junho de 1982 enquanto desenrolavam os últimos dias da guerra das Malvinas, e publicado finalmente em 1983, Os Pichicegos Malvinas – Uma batalha subterrânea, de Rodolfo Fogwill, relata a história de um grupo de soldados argentinos que, mandados a guerra, decidem desertar e construir um refúgio, “La Pichiera” – onde pretendem sobreviver. Solitário e crítico dos discursos inflamados nacionalistas convencionais em tempos de guerra, Fogwill constrói uma história de enorme poder e levanta uma série de argumentos que será fundamental para a agenda dos anos de restauração da democracia argentina.

Já leu algum destes livros? Sim? Quais? Não? E então, ficou com vontade