O papel da leitura na infância: universos ficcionais que se tornam reais

A infância é um período de grandes descobertas. Nessa fase da vida, o ser humano começa a ter contato com diversas atividades de forma lúdica e leve, iniciando então o processo de formação de gostos e predileções que se consolidarão na vida adulta.

 

lit infantil
Incentivar la Lectura infantil, de Antonia Roselló.

A Literatura aparece dando os tons certos para as vidas das crianças. As páginas dos livros transpõem a ficção e tornam-se realidade nas empolgadas leituras feitas pelos pais, professores e familiares em geral. Assim, é possível afirmar que há uma boa parcela da população leitora do mundo que teve um contato providencial com os livros em seus primeiros anos de vida, e fez da leitura um hobby a ser transmitido para as futuras gerações, assim como foi feito com estes.

A educação atual restringe ao máximo o horizonte de leitura de crianças por meio de uma leitura engessada de clássicos infantis e distancia os pequenos do processo de interpretação e interação com as obras. No geral, as aulas de Literatura para os menores ocorrem de forma expositiva e arrastada, com leituras pouco entusiasmadas por parte dos educadores e sem a participação primordial das crianças na leitura.

Tal erro compromete uma série de habilidades além do âmbito escolar, uma vez que etapas importantes da formação de seres humanos – entre elas o desenvolvimento da criatividade e as diversas formas de leitura do mundo  – não são exercitadas, e podem levar a uma série de problemas que influenciam diretamente na vida afetiva e social dos indivíduos em questão.

Com isso, podemos concluir que para garantirmos uma geração de bons leitores no futuro devemos investir em verdadeiros intérpretes de histórias para os pequenos, de forma que cada vez mais as crianças sintam-se parte dos universos multicoloridos arquitetados pelos autores. Com o passar do tempo, transferimos a responsabilidade de ler para cada um, indicando livros que encontrem seus interesses particulares, e que instiguem a criação de um senso crítico sobre a realidade através das múltiplas possibilidades de leitura implícitas em obras literárias. Assim, essa geração aluna de uma professora a falar do “Lobo, bolo, lobo, bolo” da Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, pode ser capaz de encantar seus filhos declamando Ou isto, ou aquilo, de Cecília Meireles.

Sofia Alves
Uma carioca que brinca de escrever sempre que pode. Aluna da Faculdade de Letras da UFRJ. Acredita que a Arte é o refúgio para nossa ordinaridade, como bem disse Schopenhauer.
Sofia Alves
Uma carioca que brinca de escrever sempre que pode. Aluna da Faculdade de Letras da UFRJ. Acredita que a Arte é o refúgio para nossa ordinaridade, como bem disse Schopenhauer.
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