5 Coisas que O Poderoso Chefão ensina sobre liderança

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Em vez de entrarmos na mente de Don Corleone, como seria permitido num romance, o que Mario Puzzo nos oferece é uma perspectiva do homem através daqueles que precisam lhe pedir favores

Don CorleoneUma obra de ficção não precisa ensinar algo, pelo menos não um romance, conto, crônica, et cetera. Apenas as fábulas, parábolas, koans, apresentam esta necessidade. Porém, de vez em quando, notamos que a literatura pode nos acrescentar certas lições, através de seus personagens e conflitos, podemos assimilar alguma coisa. É o caso de O Poderoso Chefão.
Conhecido na cultura pop pela transposição cinematográfica realizada por Francis Ford Coppola, o romance escrito por Mario Puzzo apresenta as ações da família Corleone através de seu império mafioso, estabelecido em Nova Iorque. Provavelmente o personagem mais impactante do livro, Don Vito Corleone é apresentado ao leitor de forma muito sagaz. Em vez de entrarmos na mente do Don, como seria permitido num romance, o que Puzzo nos oferece é uma perspectiva do homem através daqueles que precisam lhe pedir favores. Contudo, das reações do Don, podemos extrair algumas “lições de liderança”, se é que me permitem a expressão. Vamos a elas.

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1) Ofereça amizade às pessoas

Don Corleone deixa evidente que considera uma ofensa pessoal alguém não querer sua amizade. Este fato torna-se claro, logo no começo do livro, quando Amerigo Bonasera vai até o Don pedindo que vingue dois rapazes que bateram em sua filha e, no tribunal, haviam conseguido absolvição. Corleone lhe pergunta diretamente: “mas por que você não veio primeiro a mim?”, e depois de torturar o pedinte, apenas com palavras, faz com que implore sua amizade. Este tipo de ação obriga as pessoas a se sentirem devedoras dele, de modo que nunca possam lhe negar um favor quando precisar.
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2) São apenas negócios. Não deixe que vejam suas emoções

Mesmo quando o que está em jogo é sua família, perante as ações de outros mafiosos, o Don vê as coisas como negócios. Mantém a calma, procura saber o que os outros querem para poder controlá-los.
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3) Argumente

É o que Don Corleone sempre pede para quem vem lhe fazer uma proposta. Acha tremendamente ofensivo as ameaças, são um sinal de desespero. De forma clara, mostra-se um estrategista. Confia em seu poder de persuasão e o usa sem precisar alterar seu tom de voz, surgindo assim uma de suas frases mais conhecidas: “Farei uma oferta que ele não poderá recusar”.
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4) Quebre tradições, se necessário

Uma família italiana de respeito jamais teria um consigliere que não fosse da mesma nacionalidade. Mas após a morte de seu homem de confiança, Genco Abbandando, Don Corleone escolhe o descendente de irlandeses, Tom Hagen, para ser seu conselheiro. Ainda que isso lhe custe um bocado de respeito, a decisão é pautada no fato de o rapaz ter sido criado em sua casa, depois educado como advogado e, mesmo conhecendo o negócio da família, quis fazer parte dele. Era uma escolha acertada, de um homem inteligente.
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5) Forme líderes para substituí-lo

O título O Poderoso Chefão parece se referir exclusivamente a Vito Corleone, mas quem trafega por este livro, encontro ao final do trajeto um novo líder, o filho, Michael Corleone. E fica a pergunta, afinal, sobre quem é esta obra? Ou, quem sabe, esta pergunta não importa, pois interessante mesmo é ver como Michael vai crescendo; e, ainda que não queira, tornando-se o novo Don da família Corleone.
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Alguém dirá que ficção e vida são coisas diferentes. Pode ser, mas já diria Antonio Candido “[…]as personagens têm maior coerência do que as pessoas reais”. Então, talvez seja válido observar a postura de Don Corleone.