5 livros de meter medo

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Procure não encontrar um gato preto na rua ou em cima de algum telhado (se você tiver um, é permitido — não vá hostilizar o pobre do bicho), e evite passar debaixo da escada. Pelo menos não hoje. “É Sexta-feira, amor”, como nos versos da canção do cantor Cícero, porém não é qualquer uma, e sim do dia 13.

Para os mais supersticiosos, sexta-feira 13 é sinônimo de dia do azar (palavra que, particularmente, nem gosto muito de expressar — será que sou um supersticioso?); no cinema é o dia onde Jason retorna do inferno para massacrar um grupo de jovens em grande ebulição sexual que vai passar o final de semana (de sexta para sábado) no Acampamento Crystal Lake, onde ele, ainda quando garoto, morreu afogado e, mais tarde, sua mãe decapitada.

E nada que uma boa leitura de sustos para fazer jus ao dia. Então, aí vai a minha lista:

Capa da editora Martin Claret
Capa da editora Martin Claret

1 – Noite na taverna, de Álvares de Azevedo:

Uma reunião de sete contos fúnebres (ou uma novela divida em sete capítulos), publicada postumamente em 1855 — com direito a cenas de canibalismo e necrofilia —, contadas por um grupo de amigos durante uma noite de embriaguez numa taverna.

O autor do livro morrera prematuramente aos 20 anos de idade, vítima de tuberculose, em 1852, antes mesmo de suas obras serem publicadas (ao todo, quatro); e tornou-se uma das maiores influências da cultura gótica e um dos grandes representantes da segunda fase do Romantismo brasileiro.

Segue abaixo um trecho do livro:

“Procurei, tateando, um lugar para assentar-me: toquei numa mesa. Mas ao passar-lhe a mão sentia banhada de umidade: além de senti uma cabeça fria como neve e molhada de um líquido espesso e meio coagulado. Era sangue…

Quando Ângela veio com a luz, eu vi… Era horrível!… O marido estava degolado.”

2 – O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde:

O romance publicado em 1890 e reeditado 1891, não é apenas a mais notória obra do intelectual e dramaturgo inglês Oscar Wilde, que discute, já no século XIX, um tema cada vez mais recorrente em nossa contemporaneidade — o culto à beleza. Simplesmente sua personagem central, Dorian Gray, um jovem da alta aristocracia inglesa, movido pela ambição narcisista referente à sua autoimagem, apreciada por homens e mulheres que o cercam, decide fazer um pacto com o diabo, para que a sua beleza e jovialidade permaneça ao longo de sua vida, e que apenas o seu retrato, pintado pelo amigo e pintor Basil Hallward, se definhe.

Gray, de fato, mantém sua aparência bela e jovial, mesmo com o passar dos anos. Mas o que ele não esperava era que tal feito resultaria em sua própria decadência moral e física.

O final do livro é simplesmente surpreendente e assustador, e inegavelmente faz do único romance de Oscar Wilde uma obra-prima da literatura.

3 – Acqua Toffana, de Patrícia Melo:

Perturbações mentais, crimes sexuais e sede de vingança são os componentes que fomentam o livro de estreia da escritora brasileira Patrícia Melo, publicado pela primeira vez em 1994. Seu ritmo ágil ornamentado por uma trama esteticamente influenciada pela linguagem cinematográfica nos insere a um universo psiquicamente bipolar e perigoso. Nem tudo que parece ser, de fato, é. E você pode estar compactuando com o inimigo.

4 – O silêncio dos inocentes, de Thomas Harris:

Este é o mais bem sucedido romance do escritor e roteirista Thomas Harris, publicado em 1988, que fez de sua mais enigmática e diabólica personagem, doutor Hannibal Lecter, um dos psicopatas mais conhecidos da história da literatura e também do cinema — já que o livro foi adaptado para as telas no ano de 1991, vencedor de 5 Oscars.

Mas é no livro que os detalhes de Harris fazem arrepiar nossos pelos.

Edição econômica da L&PM Pocket
Edição econômica da L&PM Pocket

5 – Horror em Red Hook, de H.P. Lovecraft:

É claro que eu não poderia deixar de ressaltar H.P. Lovecraft nesta lista dos cincos livros mais perturbadores da literatura, já que o próprio é considerado o mestre do gênero.

Nesta coletânea, que pode ser encontrada também em formato de bolso, a cinco reais, é apresentada três tramas que giram em torno de estórias sombrias, entre elas relacionada a uma seita de magia negra.

Escrito em 1925 e publicado em 1927, Lovecraft declarou-se publicamente insatisfeito com o resultado final de seu livro, assim como os críticos da época. Dizia que o conto Horror em Red Hook era demasiado longo para tal. Porém, gostando ou não, tornou-se um clássico da literatura mundial, influenciando, posteriormente, uma legião de autores do gênero terror.

O mito que gira em torno da ficção de Lovecraft é de que grande parte de suas estórias teriam sido inspiradas em seus pesadelos.