5 motivos para persistir nas obras de Tolkien

11
2484

Se você desistiu ou nunca pensou em ler os livros de Tolkien, dê uma nova chance para o escritor, depois de conferir cinco motivações para devorar suas obras.

J  R  R Tolkien

Tolkien é, com justiça, o pai da fantasia moderna e considerado um dos grandes gênios do gênero. Seu legado sobreviveu ao teste do tempo e é lembrado ainda hoje, muito graças aos esforços de Hollywood com os longas de O Senhor dos Anéis e O Hobbit, mas sua base de fãs já era bastante considerável antes dos filmes. Sua obra serviu de inspiração para inúmeros autores depois dele e apenas alguns conseguiram arranhar com suas obras e mundos próprios o que é a grandiosidade da Terra Média.

jrr-tolkien
Tolkien rindo de você tentando aprender élfico.

No entanto, ao mesmo tempo em que sua criatividade sempre arrebata uma nova leva de fãs, sua escrita afasta outros inúmeros leitores. Não por ser ruim, de forma alguma, mas por sua complexidade. Antes de mais nada, Tolkien era um acadêmico, o que quer dizer que a linguagem técnica das universidades e rebuscamento eram rotineiros para ele. Era um linguista, e sabia trabalhar as palavras, inclusive criando um idioma próprio para seu mundo. Além disso, era extremamente perfeccionista, e suas descrições de cena parecem levar páginas e páginas para acabar.

O estilo rebuscado e extremamente descritivo leva uma boa parte dos leitores ao sono em questão de poucos capítulos, fazendo-os desistir de sua obra e procurando ler outras coisas mais atrativas. Hoje em dia isto torna-se um problema cada vez maior pois a juventude de forma geral está mais dinâmica e acelerada, quer coisas que sejam fáceis de digerir para passar logo para a próxima leitura.

Assim, escrevendo esse post em defesa do pai dos hobbits, apresento alguns motivos para tentar convencer leitores desmotivados pela escrita de Tolkien a persistirem e lerem até o fim.

***

1 – A genialidade e profundidade de sua obra

O motivo mais óbvio de todos é que simplesmente sua criatividade é fora do normal e o que mais o diferencia de outros autores é a profundidade de seu mundo e mitologia. Qualquer leitor interessado em aprofundar-se na literatura fantástica e, principalmente, o interessado em escrever seus próprios livros, deveria ler a mitologia de formação e história da Terra Média. A obra que melhor representa tudo isto é o Silmarillion.

Fingolfin contra Morgoth, dois dos personagens mais importantes do Silmarillion – por Autor Desconhecido

***

2 – Lá e de volta outra vez

Não consigo imaginar aventura mais “Dungeons and Dragons” do que O Hobbit. É o livro de leitura mais fácil do autor e sua trama simples, porém muito bem construída, lembra uma partida de RPG ou o famoso desenho do Mestre dos Magos. Tolkien escreveu O Hobbit para os filhos, e é a melhor escolha para quem está começando a conhecer seu mundo, ou quer apenas uma leitura mais leve.

Gandalf e Bilbo Bolseiro no Condado – por Pervandr

***

3 – Se o filme é uma gota, o livro é um oceano

Aqui caímos na velha regra de que o livro oferece uma experiência muito  mais completa do que o filme. Com certeza a produção mereceu todos os Oscars que ganhou com a trilogia de Senhor dos Anéis, mas o fã que ainda está só nos filmes e quer se aventurar mais no universo da Terra Média precisa tentar vencer a barreira da escrita. E não, as 26 horas de extras no DVD não suprem essa carência.

Sucesso estrondoso de bilheteria, o Senhor dos Anéis é uma das trilogias mais rentáveis da história do cinema.

***

4 – A jornada do herói

O arco de história de Frodo Bolseiro é um exemplo muito bem aplicado da famosa Jornada do Herói, postulada por Joseph Campbell como um padrão básico para o caminho seguido pelo herói em sua  história, e observado em diferentes culturas ao mesmo tempo. Na obra de Tolkien há todos os elementos descritos por Campbell, a separação do herói de sua terra natal, sua iniciação para os perigos do mundo, o confronto com o mal maior e o retorno ao ponto de partida. Não vou discorrer aqui sobre a relação em detalhes (talvez em um futuro post), mas certamente é um exemplo e curiosos podem notar ao longo da leitura.

A jornada de Frodo para destruir o Um Anel mudou-o completamente, e seguiu os passos analisados por Joseph Campbell em sua obra.

***

5 – Três obras primas, três estruturas

As três obras primas de Tolkien são O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Quem parou para ler todos consegue notar o quão diferentes esses livros são um do outro. E são diferentes em praticamente todos os aspectos. O Hobbit é uma aventura casual, quase descompromissada, e apesar de ter a jornada do herói como a de Frodo, tem um tom bem mais leve. O Senhor dos Anéis trata do destino da Terra Média, é um livro bem mais denso que O Hobbit, a carga dramática é muito maior e a jornada de Frodo tem tons puramente épicos. Já o Silmarillion é praticamente um glossário da Terra Média, contando sua história desde a criação até a Terceira Era, apresentando histórias únicas ao longo do tempo e apresentando a complexidade e a maior riqueza de detalhes vista em toda sua obra. Isto torna cada um de seus livros uma experiência narrada de forma única.

Escritos pela mesma mão, mas com tons de escrita bem diferentes.

***

Espero que com esses argumentos, eu consiga fazer alguns leitores tirarem poeira de seus livros do Senhor dos Anéis com marcador na metade e finalizem a leitura. Realmente não são os livros mais leves e há quem se contente em conhecer a Terra Média apenas por outras fontes, como os filmes, livros derivados e outras, mas dado tudo que Tolkien criou, não vejo como não fazer um esforço e descobrir tudo que há por trás desse mundo fantástico.

***

Motivo bônus – Tom Bombadill

O nosso famoso Bom Camarada merece um capítulo à parte na história da literatura. Tom Bombadill é um personagem que aparece no primeiro livro da trilogia do Senhor dos Anéis e é um ser extremamente poderoso, embora suas origens e até mesmo o que ele é sejam desconhecidas. A questão é que nos dois ou três capítulos em que ele aparece ele canta tantas músicas que daria pra fazer um CD só dele. Tolkien conseguiu criar o personagem mais chato que eu já vi na minha vida (já prevejo puristas procurando as pedras para tacar) e ainda assim, um dos mais únicos. É uma pena não termos muitas informações sobre ele, que tem passagem única no Senhor dos Anéis, mas talvez essa era mesmo a intenção de Tolkien, rechear a Terra Média com mistérios para que possamos sempre pensar um pouco mais nela.

Tom Bombadill, o Bom Camarada