5 motivos pra ler a Guerra do Velho, de John Scalzi

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Cinco razões pelas quais você deveria ler Guerra do Velho, de John Scalzi

Tenho uma confissão a fazer antes de falar do livro: nunca fui muito fã de sci-fi. Na verdade, até pouco tempo, eu tinha um certo preconceito com o gênero – e o termo um certo preconceito é um eufemismo. Fora o filme 2001: uma odisseia no espaço, o resto me parecia bobagem. Philip K. Dick mudou um pouco a minha perspectiva, mas ainda assim foi difícil.

Guerra do Velho pode ser o responsável pelo fim de uma ideia boba sobre sci-fi. O romance de John Scalzi trabalha com o que há de mais comum no gênero. No entanto, ele também vai muito além de uma mera trama com extraterrestres, naves interestelares e afins. Uma narrativa sedutora, bem escrita e com uma trama bem delineada, Guerra do Velho merece a sua atenção.

Eis cinco razões para lê-lo.

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Vai muito além de uma mera história de guerra no espaço

Guerra do Velho traz um tipo de questionamento único ao criar uma proposta inusitada. John Perry, narrador e protagonista, se alista nas Forças Coloniais de Defesa para combater e ajudar na colonização de outros planetas. Até aqui nada demais. O fato curioso é que ele se alista no dia do seu aniversário de setenta e cinco anos – o que, mesmo no futuro impreciso do romance, não parece ser a idade mais recomendada para entrar no exército. A trama segue na sua despedida do planeta (uma vez alistado, ele nunca mais poderá voltar a Terra) e os percalços dele e de um grupo de personagens, todos idosos, nas Forças Coloniais de Defesa. Com essa perspectiva, Scalzi explora temas conhecidos da maioria – expectativa, curiosidade, o passar do tempo, o envelhecimento, entre outros – enquanto também nos conduz em meio aos segredos da Força Colonial de Defesa – respondendo principalmente a questão: como velhos lutam em guerras? Mesmo nunca perdendo o foco, o narrador, um homem idoso, traz reflexões e questionamentos, dragando-nos muito além da boa trama.

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É um livro muito, mas muito bem escrito

Gostaria de fazer um parênteses neste ponto, pois não sei dizer se a qualidade do texto se deve ao trabalho de John Scalzi, o autor, ou de Petê Rissatti, o tradutor. O fato é que a leitura flui numa velocidade incrivelmente alta. Apesar do volume, você atravessa as trezentos e sessenta páginas em pouquíssimo tempo. Além da trama, as frases são ótimas, nunca óbvias, conduzindo o leitor por páginas e páginas e páginas. Sem se dar conta, você terá percorrido cinquenta, cem páginas. A voz do narrador sempre sabe nos conduzir aonde devemos chegar. Em último caso, aos mais chatos, é uma aula de como criar um texto denso sem ser complicado, complexo, sem ser pedante.

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Guerra do Velho, Aleph, 2016

Traz questionamentos e perspectivas novas a velhas questões humanas

Uma das grandes sacadas de Guerra do Velho é ter um narrador de setenta e cinco anos de idade numa situação nova. Scalzi cria uma nova perspectiva e traz novos questionamentos a temas como a guerra, o passado, o que é viver, sentimento de perda. Não estamos vendo novos assuntos, nem tratamentos metafóricos ou sistemas complexos sendo desenvolvidos. John Perry, o narrador, é um homem de setenta e cinco anos com um passado comum a seres humanos da sua idade. No entanto, confrontado com uma nova situação, ele faz as perguntas que alguém na sua posição precisa fazer. Junto à narrativa em si, esse ponto pode ganhar os mais chatos e exigentes leitores.

É original onde precisa, não esquecendo que é sci-fi

Apesar de todos os questionamentos e perguntas feitas pelo autor, Guerra do Velho supera muitos livros por ser inovador onde precisa, mas sem nunca esquecer que é um livro de sci-fi. Sim, há extraterrestres. Sim, há naves e batalhas – muitas batalhas, todas bem descritas. Há tecnologia e tudo mais – inclusive um dos plots da história, o como os idosos acabam se tornando guerreiros, é um dos melhores já escritos. Isso acrescenta muito ao romance. Ele não tenta ser petulante ou ultra-inovador, apenas mostra que sci-fi não precisa ser sempre um retorno a Star Wars ou uma cópia barata do que já foi feito.

É um bom livro

Em suma, é um bom livro. Agradará quem gosta de sci-fi. Agradará quem quiser ler uma boa história. Agradará quem gosta de um bom texto e também a vários e vários tipos de leitores. Guerra do Velho merece ser lido pelo simples fato de ser uma boa obra. Se isso não os convence, apenas leiam.