7 contistas brasileiras e algumas de suas obras

Contos sobre mulheres, preconceitos, histórias de terror: as contistas brasileiras são incríveis e você precisa conhecê-las.
Contistas brasileiras Conceição Evaristo
Conceição Evaristo, autora do livro de contos Olhos d’água

Quantas contistas brasileiras você conhece? E quantos contos escritos por mulheres que você leu este ano? Esta pequena lista tem o intuito de apresentar algumas obras de nossas escritoras que escrevem contos. Só lembrando que algumas delas também escrevem romances e poesia.

Bem, evidentemente, muitas das nossas contistas brasileiras não aparecerão aqui, pois listas breves sempre acabam deixando alguém de fora. Se você não ver sua contista favorita nesta lista ou quiser indicar uma que conheceu recentemente, deixe um comentário após a leitura. Agradeceremos muito! Talvez possamos fazer uma segunda lista.

Ah, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Teles não estão nessa lista porque… ah, gente, elas nem precisam ser indicadas, são nossas contistas rainhas. Mas se você não leu os clássicos livros Laços de família e Antes do baile verde, por favor, tire um tempinho para isso!

 

1. Olhos d’água, de Conceição Evaristo

Nesse livro, a presença de personagens masculinos é quase nula nos contos, se observarmos a quantidade de personagens femininas nos textos.  Muitos deles, inclusive, carregam como título nomes de mulheres.  As narrativas apresentam, enquanto temática, situações relacionadas às vivências dos afro-brasileiros na sociedade preconceituosa e excludente que é a nossa. Assuntos sociais e étnicos estão presentes em todos os contos, o que é esperado, pois Conceição Evaristo sempre se empenhou em lutar pela igualdade racial.

 

2. Amora, de Natalia Borges Polesso

Contistas brasileiras Natalia Polesso

Nos contos de Amora, estão presentes temas como relações homossexuais entre mulheres, o medo da descoberta, o maravilhamento dessa descoberta, o encontro com o próprio eu, o desejo de transformação.  Os contos de Natalia B. Polesso desestabilizam as estruturas padronizadas da sociedade na qual vivemos, que é preconceituosa, machista, patriarcal e tremendamente careta.

 

3. De medos e assombrações, de Cora Coralina

Os contos juvenis de Coralina nos fazem voltar ao passado e lembrar de uma coisa que muitos de nós adorávamos. Aquele friozinho na barriga quando alguém contava uma história de terror. Vêm na memória, portanto, a expectativa gerada desse friozinho e, também, o suspense que pairava no ar a cada nova história. Os contos contam com ilustrações de Rogério Soud que fazem com que as histórias da autora sejam ainda mais repletas de suspense.

 

4. Sucesso, de Adriana Lisboa

Contistas brasileiras Adriana Lisboa

O livro é composto por nove contos recheados de personagens marcantes e não muito presentes na literatura: da cartomante de passado traumático até a empregada que entra em um perigoso jogo de sedução. Por meio de uma linguagem enxuta, a autora constrói cenas em que basta mostrar pouco para entender que situações inesperadas, veladas e segredos que serão apresentados em meio a um cotidiano aparentemente instável.

 

5. Escrevendo no escuro, de Patrícia Melo

Trata-se do primeiro livro de contos da autora de O matador e Inferno. Assim como em seus romances, nesse livro Patrícia Melo demonstra ter domínio narrativo, uma vez que suas tramas e personagens são bem construídos. Além disso, o humor está presente nas narrativas, conseguimos enxerga-lo mesmo quando, enquanto leitores, estamos perdidos entre o que é real, fantasia ou alucinação.

 

6. O calor das coisas, Nélida Piñon

Contistas brasileiras Nélida Piñon

Essa obra consagrou Nélida Piñon como uma das melhores vozes da literatura brasileira, ao lado de autoras como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Teles, Rachel de Queiroz e Cecília Meireles, por exemplo. O livro é composto por 13 contos curtos. Os texto são repletos de lirismo, erotismo e, ao mesmo tempo, de racionalidade, crítica e humor. Nos contos, uma manipulação política da linguagem está presente, mostrando a importância que as palavras têm, bem como suas capacidades.

 

7. A árvore todas, de Luci Collin

Sim, o nome do livro é esse, não há nada de errado com ele. A curitibana Luci Collin faz um tremendo trabalho de linguagem em seus contos. Ela abala as estruturas tradicionais. Debocha dos estereótipos existentes na construção de personagens. Quebra expectativas. Faz metaliteratura. Questiona sobre o que é literatura de autoria feminina. Ri dos clichês e dos discursos tediosos.

 

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Agora é sua vez, indique contistas brasileiras para nós!

Estela Santos Autor

Colaboradora do Homo Literatus, professora, mestra em Letras - Estudos Literários e mediadora do #LeiaMulheres. Twitter: @psantosestela