7 romances que deveriam se tornar filmes

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Sete romances que não tiveram vez no cinema, mas deveriam

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Muitos romances foram levados ao cinema. Alguns nem deveriam ter sido filmados, mas mesmo assim a ânsia de fãs e certos diretores levaram a adaptações de obras de Machado de Assis e James Joyce, por exemplo (o assunto em si daria uma outra lista, inversa a esta). Contudo, o caso contrário também acontece. Grandes romances, recentes ou nem tanto, nunca chegaram ao cinema por vários motivos. Assim, escolhemos sete delas para compor esta lista. As obras abaixo foram selecionadas pelo seu potencial tanto enquanto trama quanto pelas possibilidades a serem exploradas em outro meio. Ou seja: não fecham possibilidades, são apenas opiniões aleatórias de uma pessoa aleatória.

Divirtam-se!

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O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger

O clássico moderno que impactou a cultura pós-segunda guerra escrito por Salinger não chegou aos cinemas graças ao seu próprio autor. Em vida, o autor sempre negou a venda dos direitos sobre a história de Holden Caulfield por vários motivos, o que não deixa de ser irônico, pois Salinger sempre se mostrou fã da sétima arte. Após a sua morte, em 2010, muitos estúdios tentaram adquirir os direitos sobre o romance. Nenhum dos herdeiros, porém, se mostrou amigável com a ideia. Mesmo em vida, Salinger negou ofertas de Elia Kazan, Jerry Lewis e Steven Spielberg. As possibilidades desse romance chegarem ao cinema mesmo hoje são baixas.

Barba ensopada de Sangue – Daniel Galera

Dentre os recentes romances brasileiros, Barba ensopada de sangue está entre os mais descritivos e longos. Tendo como cenário a cidade de Garopaba, no litoral catarinense, ela acompanha a vida do narrador sem nome após o suicídio do seu pai e a sua mudança de Porto Alegre. Além disso, o personagem principal sofre de um distúrbio no qual ele não armazena a informação facial das pessoas, sendo obrigado a reconhecê-las de outras formas. Galera já teve obras adaptadas ao cinema, mas nenhuma abre tantas possibilidades, e desafios, para um diretor do que Barba ensopada de sangue. Fica a esperança de que num futuro próximo mais este romance de Daniel Galera chegue ao cinema.

Cem anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez

Muitos não sabem, mas Gabo era um apaixonado pelo cinema, sendo crítico de cinema na juventude e fã dos diretores Woody Allen e Akira Kurosawa. Além disso, trabalhou por muitos anos na escola de cinema por ele fundada em Cuba, ensinando roteiro. Mesmo assim, seu maior romance nunca viu uma adaptação para o cinema. Garcia Marquez sempre disse que a obra era excessivamente literária, não sendo possível reproduzi-la nas telas sem evitar grandes perdas. É provável que o resultado negativo de O amor nos tempos do cólera, adaptação de outro romance do autor colombiano em 2007, também tenham colaborado para a decisão do Nobel de Literatura.

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Ensaio sobre a lucidez – José Saramago

A obra do Nobel português já teve boas adaptações para o cinema. Além do conhecido Ensaio sobre a cegueira, dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles, em 2013 saiu a versão de O homem duplicado, com o título Enemy, dirigida por Denis Villeneuve. Ambos poderiam dar oportunidade a esta obra de Saramago, na qual uma votação tem como resultado uma maciça parcela em branco por parte da população como protesto. Os movimentos do governo e a vida de um grupo de investigação que descobre os movimentos escusos dos governantes, além de velhos personagens de Ensaio sobre a cegueira, fariam deste um filme muito interessante, senão necessário, em tempos de turbulência política.

Viagem ao fim da noite – Louis-Ferdinand Céline

Ferdinand Barmadu, o alter-ego do autor francês, começa como um feliz jovem que se alista no exército rumo à primeira guerra, depois passa pelos Estados Unidos, nas fábricas da Ford, na África colonialista enquanto médico e por fim na Paris pobre dos anos de 1930. Um grande épico pessimista sobre a miséria, real e metafórica, da humanidade. Sua história, seus cenários e seus personagens abrangem um grande lastro de tipos e problemas que ainda hoje enfrentamos. Considerado por muitos como um dos maiores romances da primeira metade do século, já teve alguns diretores, como Sergio Leone, como seus prováveis diretores, entretanto o projeto nunca saiu do papel.

Caçando Carneiros – Haruki Murakami

Os romances do escritor japonês Haruki Murakami lidam com temas que sempre chamaram a atenção do cinema: isolamento, problemas de se relacionar com o entorno, a jornada do autoconhecimento. Caçando Carneiros trata de todos esses temas e ainda acrescenta um tom surreal com a história do narrador sem nome que parte de Tóquio para o norte do Japão em busca de um carneiro com uma estrela nas costas. Talvez não seria um filme para todos, como os de David Lynch – de quem Murakami é fã –, devido ao tom surreal do enredo, o que não impediria a criação de uma grande obra no cinema.

Pulp – Charles Bukowski

O último romance escrito pelo autor americano Charles Bukowski poderia se tornar uma adaptação impar devido ao tom cômico de Pulp. Nicky Belane, um detetive caricato, é contratado pela Dona Morte para encontrar o escritor francês Louis-Ferdinand Céline (isso mesmo, o autor de Viagem ao fim da noite logo acima) e o pardal azul em Los Angeles. Com diálogos engraçados e tiradas sobre a morte, este seria um filme ao mesmo tempo profundo e divertido. Considerada uma obra menor entre os contos e romances de Bukowski, Pulp provavelmente nunca estará na tela de um cinema mais próximo de você – o que é uma pena.