8 romances brasileiros que têm cerca de 150 páginas

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Está sem muito tempo para ler ou quer uma leitura rápida? Indicamos, para você, oito romances brasileiros que têm em média 150 páginas!

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Ilustração: autoria desconhecida

Todos nós, em algum momento da vida, somos tomados pela falta de tempo, seja por causa do trabalho, faculdade ou escola. Infelizmente, é comum deixamos de ler romances quando nos resta poucos momentos livres, daí que acabamos optando por livros de contos e poemas (o que não é um problema) ou optamos por assistir algo que seja mais rápido.

Mas por que deixar os romances de lado? Se não lhe resta muito tempo para ler um calhamaço brasileiro, ao estilo Grande sertão: veredas, Viva o povo brasileiro, Não verás país nenhum, entre outros, opte por um livro mais curto e de leitura rápida, sem que seja necessário muitas pausas na leitura em função da escassez de tempo.

Nós indicamos oito romances que variam de 100 a 155 páginas, de acordo com cada edição, que você poderá ler à vontade, sem muitas pausas que interrompam a sua leitura. Livros estes que você pode ler no ônibus, no metrô, naquele intervalo entre os seus compromissos ou nas horinhas finais de seu dia. Mas se você tem tempo e, mesmo assim, deseja conhecer alguns romances sem ficar horas e dias lendo um só romance, esta lista também serve para você. Confira!

 

1. A hora da estrela, de Clarice Lispector

A hora da estrela foi lançada pouco antes da morte da morte de Clarice Lispector, em 1977. O romance logo se firmou como um dos mais populares da escritora, posto no qual permanece até hoje. Trata-se da história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa. História esta narrada pelo escritor Rodrigo S.M. (que muitos dizem ser a voz da própria Clarice) com seus métodos de criação literária.

 

2. De gados e homens, de Ana Paula Maia

Este romance se passa dois anos depois de Carvão animal, também escrito por Ana Paula Maia. O protagonista Edgar Wilson, ex-carvoeiro, trabalha em um matadouro de gado e exerce a função de atordoador. Ao ser o responsável por atordoar os bois com uma pancada na cabeça e, por consequência, pela morte deles, vê-se questionando a morte desses animais, os quais servem para o consumo humano, como se esse fosse o único destino restante a eles. No matadouro de uma pequena cidade, um cotidiano ignorado deste país é apresentado. Por meio dos personagens, reflexões acerca do trabalho, do destino e da existência são postas, o que leva os leitores a refletirem também.

 

3. A hora dos ruminantes, de José J. Veiga

A hora dos ruminantes é permeado por alegorias e se passa na pequena cidade de Manarairema, a qual tem uma rotina totalmente alterada por acontecimento inexplicáveis e até surreais.  Primeiramente, uma grande quantidade de homens desconhecidos decidem acampar na cidade e, com medo das represálias deles, a população passa a investigar sobre a procedência e intenção do grupo. Em um segundo momento, a cidade é tomada por cães, milhares deles, que fazem com que os humanos fiquem acuados em suas casa, enquanto os animais fiquem livres pela cidade. E por fim, o terceiro acontecimento inacreditável é quando uma gigantesca quantidade de bois invade a cidade, tornando a vivência nela cada vez mais difícil.

 

4. Um copo de cólera, de Raduan Nassar

Em Um copo de cólera se passa em uma manhã qualquer, depois de uma noite de amor de um casal. No entanto, a normalidade é quebrada, bem como a harmonia entre o casal de repente. Por um motivo aparentemente banal, o homem e sua parceira passam a se atracar rudimente e, em meio ao bate-boca, a paixão aflora de tal modo que eles voltam ao fazer o que fizeram durante a noite, ressurgindo de forma iluminada ao tirarem suas roupas do corpo. A linguagem dessa obra é intensa, tensa, rude e contundente. Esta obra também costuma ser denominada como novela, assim como Lavoura arcaica, do mesmo autor.

 

5. Relato de um certo Oriente, de Milton Hatoum (edição de bolso)

Este romance deu a Milton Hatoum o Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 1990.  O relato é situado entre o Oriente e o Amazonas e se trata de de uma busca por um mundo perdido, o qual é reconstruído por meio das falas das personagens existentes no romance,  falas estas que são permeadas por ecos da tradição oral dos narradores orientais.

 

6. O único final feliz para uma história de amor é um acidente, de J.P. Cuenca

Este romance se passa em Tóquio, em futuro próximo, e narra a história de Shunsuke Okuda, um jovem funcionário de uma multinacional, um conquistador que cria uma identidade distinta para cada mulher que conhece. Tanto o voyeurismo quanto a perversão se fazem presente no livro de modo onipresente. A cultura japonesa é utilizada para narrar histórias de amor e para representar a vida fragmentada das metrópoles.

 

7. Romance sem palavras, de Carlos Heitor Cony

A história desse romance é permeada pelo período de ditadura no Brasil. No período ditatorial mais violento e pesado, o personagem Beto é preso por ser suspeito de participar de ações contra o governo. Em sua cela, conhece João Marcos, quando este é jogado ao chão, após uma violenta sessão de tortura.  Beto decide ajudar João, ambos se tornam amigos e, em função desse vínculo, uma série de mudanças acontecem na vida dos dois, tanto em relação ao amor por uma mesma mulher quanto em relação à vida política.

 

8. Harmada, de João Gilberto Noll

Noll, neste romance, apresenta uma narrativa não muito linear (chamada por alguns de esquizofrênica). O protagonista transita em inúmeros espaços, tais como um rio, o mar, um matagal, um teatro, um hotel, um asilo de moradores de rua. Trata-se da história de um ex-ator de sucesso vagando sem rumo por um país inominado, mas que anseia chegar à capital, Harmada. O protagonista, ao andar à deriva, experimenta milhares de sensações, chegando a se esbaldar em lama fétida e a participar de orgias sexuais. É tomado por uma paralisia e, como que para se consolar, transforma um asilo em palco para as suas histórias, o que o faz descobrir o gosto pela arte existente nas pessoas que ali habitam.