A Filha do Senador 028 – Gisele Corrêa

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Dormi bem, mas tive sonhos esquisitos. A Elaine dançava com o Ricardo na nossa sala e meu pai aplaudia. Acordei no momento em que minha mãe chegava à sala.

O Ricardo foi me buscar em casa, e explicou a nós duas que meus maus estares era por conta do estresse e que não havia nada de errado comigo, mas pediu que eu não guardasse meus problemas, que deveria me abrir com alguém de vez em quando.

E foi o que eu fiz logo depois do enterro. O Ricardo me deixou no Gui e eu contei a ele sobre o telefonema da noite anterior.

– Ela te pediu ajuda? (perguntou acariciando meus cabelos).

Eu estava deitada com a cabeça em seu colo na sala de TV. Mas desta vez estava bem acordada…

– É, mas não sei se ajudei muito… Só escutei o que ela tinha dizer por curiosidade…

– Você acha que seu pai virá procurar a sua mãe?

Eu não tinha pensado nisso, mas era a lógica, se ele terminou com a Elaine deveria estar arrependido, não por amor (conheço bem meu pai e tenho dúvidas se ele já amou alguém um dia), mas pela imagem dele que estava seriamente abalada.

– Ele pode até aparecer, mas duvido muito que minha mãe lhe dê chance… (respondi).

– Você vai contar a ela? (ele trocava de canal).

– Acho que não, não quero que se preocupe…

Continuamos conversando o resto da manhã até que a Isabel nos chamou para almoçar. Eu queria ter voltado pra casa, mas ela disse que seria insulto não ficar, então quem sou eu para recusar?

À tarde fomos à locadora, pegamos alguns DVD’s e ficamos um bom tempo assistindo.

As despedidas estavam a cada dia mais difícil (estranho porque quanto mais tempo eu fico com ele mais tempo quero ficar), e quando ele me deixou em casa demorou muito para eu realmente sair do carro, e minha mãe fez questão de observar isso assim que entrei.

– Da próxima vez, convida ele para entrar. (estava sentada no sofá, fingindo ver uma revista).

– É que ele já estava de saída… (respondi mesmo sabendo que era meio difícil de acreditar).

– Estava de saída a mais de uma hora, acho que dava tempo de ter entrado (continuou sem levantar os olhos da revista). Da próxima vez se despeçam aqui dentro (tinha ficado muito séria). Não é bom esse tipo de “conversa” na frente dos empregados.

– Mãe ele é meu namorado…

– Tá legal, se você acha que não tem problema… Depois não me diga que eu não avisei…

– Tudo bem mãe… (eu queria terminar logo com aquilo).

Tomei um banho delicioso, meu humor tinha ficado bem melhor depois da tarde com o Gui.

Jantamos em casa, e por incrível que pareça sozinhas. Conversamos bastante, e minha mãe sugeriu que agora que eu não iria mais ao hospital deveria achar alguma coisa para fazer durante a manhã. Aliás nós duas precisávamos disso.