A nova onda de matar personagens e o dom de tornar todo final previsível

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[Na foto: Colin Firth, Renee Zelwegger e Hugh Grant chegam para a pré-estréia do filme O Diário de Bridget Jones em Londres, Inglaterra]

Preparem seus corações para um texto tão ácido quanto os finais recentes de alguns best-sellers vem se tornando excessivamente dramáticos.

A verdade é que eu já estava um pouco engasgada com isso faz temo, mas depois de ler ontem que a autora de “Bridget Jones” – que garante ter se inspirado em Jane Austen – matou o Sr. Darcy. Simples assim. Isso, junto com todos os John Green, Nicholas Sparks, Riordan,  e afins da vida, que acham que matar um personagem é a chave do sucesso de seus livros, me encheu a paciência.

Oras, então agora a tendência é criar casais com que o público sofra uma catarse e se identifique para, depois, a fim de criar um drama ou suposta tensão, matar um deles, sem qualquer propósito além do drama excessivo per se? É de chorar, mas de desespero e não de tristeza, como almejam tais autores.

Primeiramente, começando por Bridget Jones, se havia qualquer tipo de paralelo entre esta e os romances de Jane Austen (SE, eu gostaria de reforçar, já que eu acho que o conceito do livro, como um todo, faz Austen se retorcer na tumba), agora, com essa morte dramalhona, se afastou de vez do que Jane criava. Se tinha algo que não fazia parte das obras de Jane Austen era esse drama excessivo de mortes, paixões, escuridão e beijos tórridos às escondidas.  Ela escrevia comédias, em que o final feliz fazia rir e dava leveza ao enredo.

Agora, mais do que isso, a tendência de matar personagens acreditando que isso dá densidade a história não é só preocupante pela falta de criatividade, mas irritante: ao abrir um destes best-sellers ou se espera por quem vai transar e apanhar (#50tonsfeelings) ou se espera por qual do casal vai morrer. Embora gere popularidade (a morte de Darcy virou TT, inclusive), gera também um baita de um anticlímax, em que ao invés de esperar por um final feliz, tudo o que você faz e tentar maquinar como um dos dois vai morrer. E só. Não há mais nada ali.

Não me entendam mal, eu não estou dizendo que final “triste” é ruim – tanto que um dos meus livros favoritos é Adeus às Armas, de Ernest Hemingway, e quem leu o livro ou viu o Bradley Cooper no “O lado bom da vida” sabe que o final é daqueles. O que quero dizer é que a banalização de um mecanismo de surpresa – a morte de um dos protagonistas – acaba por se tornar um clichê chato, previsível e que, definitivamente, não combina com o hábito de criar novos leitores.