A viagem espacial em “Sombra do paraíso”, de David S. Goyer

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Conhecido como roteirista, David S. Goyer entre no mundo literário com Sombra do paraíso em parceria com Michael Cassutt

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Eu tenho um ponto fraco por ficção científica: mais especificamente, por histórias sobre viagens espaciais, sobre novos mundos explorados; parte da fascinação, penso, se deve ao fato de que jamais vou pisar em qualquer planeta que não este. É o suficiente para fazer a imaginação desejar mais. Se não vou vestir o traje de astronauta (me falta treinamento) e nem me aventurar pela gravidade zero (me falta coragem), deixo que a literatura ou a arte me sirvam como devem servir—me levem para os lugares que só existem na minha mente ou a uma distância que seria impossível a mim transpor. Mas a literatura é mágica: você vira uma página e está lá.

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Sombra do Paraíso (Aleph, 2015)

Sombra do Paraíso, publicado pela Editora Aleph, é o romance de estréia do escritor David S. Goyer, (nome conhecido, e por vezes controverso, entre os fãs de quadrinhos e de suas adaptações para o cinema), em co-autoria com Michael Cassutt. É uma aventura espacial em um cenário não muito longínquo: 2019, alguns anos depois que um astro desconhecido, com trajetória rumo à Terra, foi descoberto. Duas missões são enviadas para estudá-lo. A primeira é financiada pela NASA. A segunda é fruto da coalizão Índia-Brasil-Rússia. Zack Stewart, o comandante da Destiny-7, a nave americana, é um protagonista com a tradicional bagagem emocional dramática; ainda assombrado pela morte de um ente querido, deixou em casa sua única filha, uma adolescente precoce que ele pode jamais rever—dependendo do sucesso ou não da missão.

Quando descobre-se que o astro misterioso (batizado pelos terráqueos de Keanu) (e se você está pensando, “por causa daquele Keanu? Keanu Reeves?”, você está certo) (não, eu não vou contar o motivo) é na verdade uma nave alienígena, o que parecia uma simples (sei lá com seus riscos) exploração se torna algo muito mais importante e perigoso.

Sombra do Paraíso foi escrito de uma forma cinemática; nada que surpreenda, dado seus autores. É fácil de engatar, não se perde tanto nas minúcias excessivamente técnicas de viagem espacial (o que pode sempre ser um veneno quando se trata de ficção científica) e apresenta um elenco vasto de personagens, contando até com um super-astronauta brasileiro no meio. Quem gostou de Perdido em Marte provavelmente vai se tornar fã da série (sim, porque existem duas continuações).