Ainda bem que é o PS4, imagina se fosse um livro

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Book Protest Arizona

Já faz uma semana que aconteceu o fatídico dia em que o tão esperado Playstation 4 foi lançado e ainda tem gente reclamando. Apesar do alarde e da indignação (sim, eu jogava videogame e continuaria jogando, se os preços ou a minha condição financeira permitissem), me veio a pergunta: pra que isso, cara? É só um videogame, poxa vida.

Junto à questão, chegou também uma enxurrada de pensamentos. Dentre eles, a conclusão de que nunca vi ninguém fazer um escândalo ou protestar contra o preço de um livro. Sim, livros são mais em conta que videogames, para a nossa alegria, mas e se não fossem?

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Fiquei imaginando um mundo onde o objeto de desejo para a maioria das pessoas fosse uma singela obra literária. De capa perfeita, reluzente e muito atrativa, o melhor exemplar custaria o valor anunciado semana passada, para o famigerado aparelho. Absurdo? Sim, eu sei. Não seria interessante, porém, fantasiar sobre o que poderia acontecer, caso os livros custassem uma fortuna e os meios de entretenimento mais supérfluos fossem vendidos a preço de banana?

Foi o que eu fiz. O cenário seria tanto quanto ou mais deprimente que as cenas narradas em 1984 ou Admirável Mundo Novo. Primeiro, só os ricos teriam livros. Segundo, pobres se endividariam para ler. E então, um processo de supervalorização aconteceria, dando origem a cópias, falsificações e pirataria – o que não acontece na internet, oi?

O próximo passo seria a criação do mercado negro das livrarias, onde vendedores e compradores tentariam fazer negócio rápido e barato, desviando o dinheiro que seria de direito de escritores e editoras. Na boca de letras, o risco seria ainda maior, mas as chances de conseguir um clássico quase em extinção aumentariam e, com isso, a esperança de uma leitura revigorante, ilegal e prazerosa.

Pequenos grupos de pessoas se uniriam para mudar a realidade, pedindo livrarias livres, valores mais justos e a garantia de conseguir ler em paz, sem ser necessário vender um rim ou se aventurar em mercados ilegais.

Pois bem, esta tentativa de salvar a literatura já faz parte da realidade. Olha que maravilha: existem doações de livros acontecendo diariamente, em especial aos que nunca tocaram um videogame e não dão a mínima pra isso, porque o que querem mesmo é viajar com os livros.

Além disso, você não precisa se lamentar ou chorar pitangas pra comprar sua próxima leitura. Existem sites de descontos, onde lançamentos e verdadeiros clássicos podem ser adquiridos sem gastar muito e sem sair de casa. Um desses sites é o Cupom, que traz ofertas das principais livrarias do país, como Saraiva, Cultura e tantas outras que fazem nossos dias mais felizes com suas promoções.

Se comparados aos Playstation 4, os livros já são uma merreca, imagina com desconto? Realmente, a vida de um leitor é bem mais divertida ou segura que a vida de um gamer…

Depois de pensar no caos que seria o preço absurdo de uma obra literária, respirei feliz e aliviada: podia ser pior e em vez do PS4, teríamos um livro como a grande “roubada” do ano.

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Nota: A imagem de capa é de um protesto realizado no Arizona em 2012, contra a lei que proibiu o uso de certos livros na sala de aula após o fechamento do programa de estudos mexicano-americano, suspenso por uma nova lei estadual.