Ao Livro – Felipe Schramm

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Meu caro e velho amigo,

Sei que seu dia é amanhã, mas faz algum tempo que venho pensando em te escrever essas palavras, então com a data chegando, nada melhor que colocar em texto o sentimento. Acho que por mais que o tempo que passamos juntos seja grande, talvez ainda existam coisas que eu não pude lhe falar. Espero que aqui nesta carta algumas delas fiquem claras. Talvez também as coisas aqui sejam tão evidentes ou básicas, que possam parecer absurdas, mas quero que saiba que tudo é verdade. O fato é que não vivo mais sem sua companhia, simplesmente não consigo.

Não me recordo exatamente de quando nos conhecemos. Acho que você esteve sempre na minha vida, pois te imagino como um amigo antigo da família, daqueles que sempre está na nossa casa. Mas o que é certo é que nos gostamos logo de cara, não é? Quando eu ainda era pequeno, nossas conversas eram tímidas, curtas. Como toda criança eu tinha mais o que fazer (brincar era a prioridade na época). Mas sempre em algum momento, meu tempo era apenas para você. Daquela época da primeira infância talvez não tenhamos nenhum recordação “física” até hoje, mas lembro que você e minha irmã iam para a faculdade juntos, e toda semana você vinha para mim com um assunto novo.

Depois, esperar você na minha casa já era pouco. Descobri então a sua casa, no centro da cidade. Quem me apresentou foi uma professora de escola, e depois daquele dia era eu que fazia algumas boas visitas por mês (mas você sempre voltava comigo). Os papos foram ficando maiores, mais sérios, e a gente passou a ter mais tempo juntos. Na adolescência, aquela época chata em que a gente odeia o mundo e o mundo parece estar nem aí pra gente, você talvez tenha sido quem mais ficou ao meu lado. Como esquecer o primeiro dia de aula na escola nova? Não conhecia ninguém, então ficamos sentados na sombra de uma arvore durante todo o intervalo, e só quando o sinal bateu foi que percebemos as malditas formigas. Bons tempos aqueles, e foi nessa época também que conhecemos de vez o Harry, o Rony e a Hermione. Lembra?

É, fizemos grandes amigos juntos. E até hoje continuamos a fazer, você me apresenta seus amigos e eles me apresentam outros e assim segue, quando eu vejo já conheci muita gente legal. E é por você que eu escrevo nesse blog (sei que foi você quem fez o Vilto me recrutar, a culpa é sua em partes), tanto que, se parar pra ler, vai ver que quase tudo aqui é sobre você. Mas no final das contas, todos concordam que você merece. Sei que as vezes eu cuido de você demais, tenho um ciúme meio excessivo, mas é que considero nossa amizade uma das coisas mais importantes que tenho.

Sei que posso contar com você a qualquer hora, mesmo. Seja um tempo no meio da madrugada pra rebater a insônia, ou durante a viagem no ônibus no trânsito infernal de hoje em dia. E até mesmo naquelas situações mais entediantes (ou nas mais tristes, tivemos algumas dessas também). Sempre tenho você. É quase como ter meu próprio grilo falante, ou como dizem na música, “I’ll Be There For You”. Só tenho coisas para te agradecer. Obrigado por tudo.

Desejo que daqui pra frente sejamos ainda mais presentes.

Feliz seu dia (do livro).