Auto Retrato: Um Exercício de Distanciamento Perceptual – Juliano Rodrigues

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Quem é aquele homem ali parado?

Está tão centrado, não percebe que há outras pessoas a sua volta?

Mesmo com o ônibus em movimento permanece ali parado

Estando ali ainda parece distante

estaria ele drogado?

Quão misterioso ele é!

Tão estranho, porém sedutor,

por que ele não me olha?

Estou indignada com isso!

Acabou de esboçar um sorriso,

Que raiva! só pode estar em outro planeta mesmo!

Sento ao lado dele, que bom vou me aproximar

me cumprimenta com o olhar,

mas nem espera eu devolver a saudação, que idiota!

Não percebe que quero falar com ele,

Aliás, mais do que falar

Que situação frustrante

deve ser um daqueles metidos a esperto

gente esnobe, só não é chique, afinal está em um ônibus e de All Star

O que tem de tão especial naquela coisa em que ele insiste olhar?

não seria eu mais bonita? Interessante?

Ele nem é casado, não vejo aliança em seu dedo

Agora ele levanta, nem se despede, apenas um com licença

Logo após eu dar o lado, solta um obrigado

Quanta frieza, apenas educação e gentileza

Não devia ter dado passagem

Ah! Que se dane!

Que ódio dos poetas, leitores e seus livros!