Big Brother Literário, uma boa ideia?

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Jurados do Masterpiece, o Big Brother dos escritores italianos

O famoso reality show Big Brother, em que um grupo de pessoas fica confinado numa casa sem contato com o mundo exterior, parece que vai ganhar uma versão literária. Trata-se do Big Frère, um programa francês que será exibido na Internet em outubro deste ano. A proposta é reunir 20 escritores, que ficarão trancafiados em um castelo para escrever uma obra coletiva. Os internautas poderão votar no seu preferido, mas a escolha final será feita por um júri especializado. A expectativa é que haja cerca de 5 mil inscrições online, sendo o único pré-requisito que o candidato já tenha algum título publicado. O objetivo principal parece ser lançar novos escritores no mercado, com a estratégia do formato de reality show para atrair a atenção das pessoas.

Algumas iniciativas semelhantes aconteceram antes. Na Itália, foi criado, no fim do ano passado, o programa Masterpiece, em que aspirantes a escritores se enfrentam em desafios literários. O vencedor ganha um contrato de publicação, além da fama. No Brasil, o programa de título provisório Saindo das Páginas, pretende mostrar o dia a dia do casal de autores Raphael Draccon e Caroline Munhóz, ambos do gênero fantástico. Mário Prata também teve a ideia de escrever seu livro Os Anjos de Badaró inteiramente online, permitindo aos internautas que acompanhassem o processo de construção do romance e interagissem com o autor. Em um evento sobre literatura, tive a oportunidade de assistir a uma palestra dele, em que comentou sobre o assunto. O escritor lamentou que a proposta não obteve o resultado esperado, pois os internautas reparavam mais em seu visual do que em sua rotina de escritor. Porém, acabou conhecendo uma jovem escritora promissora e ajudou-a em seu caminho profissional.

A Internet vem exercendo uma grande força nos tempos atuais, atingindo um público muito extenso e variado. Portanto, por que não aproveitá-la para lançar projetos culturais como esses, seja para descobrir novos talentos, seja para incentivá-los? A literatura não precisa ser elitizada, restringindo-se a estudos acadêmicos ou eventos isolados e pouco acessíveis. O artista tem de ir aonde o povo está, como diz a canção de Milton. Se o povo está online, então vamos à Internet!

E você, o que pensa do assunto? Acredita que propostas como o Big Frère literário sejam válidas e inovadoras ou, no final das contas, não passam de banalidades midiáticas da mesma maneira? Deixe sua opinião nos comentários!