Capas de livros, o que muda da Argentina para o Brasil

O que muda, visualmente falando, nas capas de livro da Argentina para o Brasil?

Basta entrar numa livraria em Buenos Aires para notar as diferenças na disposição dos livros. Se por um lado os best-sellers mundiais também fazem sucesso entre os hermanos, por outro, nota-se um número muito maior de livros clássicos, o que denuncia um povo mais letrado. Evidência clara. Lei da oferta e procura.

Digamos que no Brasil os best-sellers ocupem metade das livrarias, ficando o restante para clássicos, livros didáticos, etc. Na Argentina, segundo se vê, os best-sellers seriam um quarto dos livros oferecidos; mais um quarto para livros didáticos, entre outros; e dois quartos para literatura clássica.

Obras completas de Jorge Luis Borges
Obras completas de Jorge Luis Borges

Estes livros mais “pesados” são muito valorizados por lá, refletindo-se num número expressivo de antologias e caixas especiais do tipo “obras completas”. O design se torna mais refinado de acordo com o público-alvo. Percebe-se o bom gosto dos argentinos ao optarem por capas que têm cores fortes em destaque sobre fundos sóbrios, no que se refere às obras clássicas, ou duma literatura mais elaborada, que exige mais do leitor.



No caso dos livros mais populares, os publicados aqui no Brasil têm mais identidade própria. Os hermanos colocam nas capas de seus best-sellers um verdadeiro festival de cores, à moda americana de publicidade editorial apelativa.

É interessante realizar-se uma comparação rápida. Vejamos o livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez, colombiano vencedor do Nobel de Literatura. Ao lado, você vê uma capa brasileira publicada pela editora Record; e uma capa argentina que saiu pelo selo Debolsillo, da editora Random House Mondadori. Sem buscar desmerecer o trabalho da editora brasileira, percebe-se um apuro artístico muito maior na capa que saiu na Argentina.

Capa brasileira (editora Record)
Capa brasileira (editora Record)

Capa argentina (editora Debolsillo)
Capa argentina (editora Debolsillo)

Espero que ninguém considere esta análise como julgar um povo pela capa, ao elogiar o trabalho editorial argentino. Temos algumas editoras aqui no Brasil que fazem um trabalho gráfico excelente. Me gusta principalmente as capas da Companhia das Letras e da Cosac Naify.

Mas colecionadores de livros terão nas capas argentinas algo mais para mexer com corações desejosos de comprar.

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Este texto pertence à série Viagens Literárias, em que colaboradores do Homo Literatus trazem uma perspectiva literária de outros lugares do mundo onde estiveram.

 

Vilto Reis
Autor do livro "Um gato chamado Borges", professor de escrita criativa e apresentador do Podcast de Literatura 30:MIN.
Vilto Reis
Autor do livro "Um gato chamado Borges", professor de escrita criativa e apresentador do Podcast de Literatura 30:MIN.
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