Crônica: A vontade inconsciente é a maior força do ser humano – Sergio Trentini

Todos os dias quando acorda, antes de abrir os olhos, bem pouco, milésimos de segundo antes é o ponto exato que me refiro. Nesse ponto você está em seu estado mais natural. Seu cérebro não acordou totalmente, apenas metade do lado animal está ativo. Atenção, eu disse metade. Isso significa que se alguém voar em cima de você com uma foice, provavelmente seu destino será a morte. Seu lado animal não te salvaria milagrosamente. Porém, morreria como uma vaca hindu. Como se tivesse oscilado entre o mundo dos sonhos e a realidade e escolhido permanecer eternamente na primeira opção.

Por que seu estado mais natural? Porque você está sozinho e o maior raciocínio que consegue fazer é sobre abrir os olhos. O eterno instinto de sobreviver, seguir adiante, buscar algo. É um momento único em que você busca algo singelo, mas essencial – e o melhor – não se preocupa em alcançar isso. Inconscientemente, sabe que consegue. Não precisa raciocinar, criar planos e traçar metas para alcançar. Você só vai lá – sem sair do lugar – e faz.

O dito “estado mais natural” é um estado de espírito onde tudo é deserto – no plano simbólico, claro, como diria o outro. A solidão que só o escuro da pré-abertura de suas pálpebras é capaz de produzir. Ninguém na sua volta. Não precisar contar com nada. Ninguém para contrariar seus pensamentos e ninguém para te puxar para baixo.

Ninguém para dizer que não é capaz – de abrir as próprias pálpebras.



É aí que você está em seu estado mais natural. Uma criatura pensante e confiante, capaz de realizar os mais remotos sonhos. Capaz, até, de abrir os próprios olhos.

Depois que você consegue, começam os problemas. Todos os dias.



Sergio Trentini
Sergio Trentini é estudante de jornalismo, mas já cursou psicologia e administração. “Essa eu termino” é uma frase que gosta de repetir, tanto para a faculdade do momento, quanto para as histórias que começa a escrever. É escritor, mas acha pouco sensato dizer isso em voz alta. A primeira vez que tentou escrever um livro foi com onze anos. A última; ontem.
Sergio Trentini
Sergio Trentini é estudante de jornalismo, mas já cursou psicologia e administração. “Essa eu termino” é uma frase que gosta de repetir, tanto para a faculdade do momento, quanto para as histórias que começa a escrever. É escritor, mas acha pouco sensato dizer isso em voz alta. A primeira vez que tentou escrever um livro foi com onze anos. A última; ontem.
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