Coisas que alegram

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Tenho um hábito estranho, acho, de anotar coisas que me alegram. E essas coisas que me alegram escrevo-as em um formato estranhíssimo. Formato esse que não consigo definir se é poesia, prosa, ou simples incapacidade de escrever dentro de um modelo pré-estabelecido.

Assim, meus amigos, eis algumas coisas que me alegram.

Cheiro de canela
Descobrir que um amigo, que há muito não se vê, está feliz
Ouvir uma música, que se amava, mas que já havia sido esquecida
Ver a cara risonha de Mandela
Perceber-se pleno debaixo de uma chuva torrencial

Convencer alguém a desistir de se suicidar

Limonada em dia quente de verão
Cheiro de livro novo
Ouvir aquela música da cena do tango do filme Perfume de Mulher
Chegar em casa e encontrar o amor da sua vida distraída

Ver um labrador dourado andando alegremente pela calçada
Ouvir Nessun Dorma, cantada por Luciano Pavarotti
Ouvir O Mio Babbino Caro, cantada por Maria Callas
Ver filmes caseiros, dos anos cinquenta, em que crianças aparecem pulando na piscina, e pais aparecem em conversações interessantíssimas
Perceber que as flores do vaso da mesa são de verdade

Ouvir uma criança dizer que irá acabar com a fome e as guerras do mundo
Perceber que os sonhos também mudam
Acordar de manhã achando que é segunda-feira, e descobrir que é sábado
O som da chuva depois de meses de estiagem
O som dos golfinhos em festa
Perceber que os pés do Davi, de Michelangelo, são perfeitos
Vinho tinto
Bolo de fubá
Um abraço apertado de agradecimento
Saber que alguém que você não conhece disse coisas ótimas sobre você

A cara tristonha de Chaplin
Pessoas fazendo as pazes
Ouvir Martin Luther King dizer, “I have dream”
Uma cama com lençóis novos
Ouvir Darcy Ribeiro falar do Brasil com esperança infinita
Pudim de leite com café