Crônica: Como Não Perder Seu Guarda-Chuva – Diogo Marins Locci

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Ou “como matar as moscas que atacam um churrasco”, ou “ como permanecer mais de vinte minutos na internet fazendo algo produtivo”, ou qualquer outro título que proponha algo que não vai conseguir cumprir.

E isso tudo, essa falsa expectativa que eu talvez tenha causado em você, de não mais passar o dia irritado pensando o quão descuidado você foi por deixar o guarda-chuva na faculdade, no banco de trás do carro do taxista ou no trem (Como da última vez que perdi um) é só pra dizer que existem entraves no dia-a-dia que, mesmo não sendo sanados, deveriam ser mais bem administrados por nós, que costumamos nos responsabilizar por coisas demais. Vamos pôr os exemplos em prática:

  • As moscas são carniceiras. Se você ama um churrasquinho aos domingos, imagine elas, que nem distinção do dia da semana fazem!
  • A internet tem uma força magnética que atrai para o campo da improdutividade. Isso é um fato! Não lembro o nome do cientista que falou isso, mas é um fato. Eu juro.
  • O guarda-chuva é corriqueiro. Não é um celular, que usamos até mesmo para fingir que estamos fazendo algo relevante ao dar um gelo em alguém ou fingir que não estamos vendo o que acontece em volta. Além de pouco usado, o guarda-chuva não tem uma pegada confortável pra se andar por aí e, quando molhado, fica muito incômodo de carregar. O nosso subconsciente deve fazer muito esforço pra largarmos um guarda-chuva na primeira esquina.

Mas vamos nessa! Perder guarda-chuva está liberado! Ficar de bobagem na internet depois de afazeres que já foram suficientemente relevantes está liberado. Almoçar com as mocas é nojento, mas também está liberado. Vamos tentar não bater o pé pra tanta coisinha. Às vezes é legal deixar “a pesquisa feita pelos profissionais mais importantes da área atualmente” de lado e fingir que o sossego basta.

Talvez você até dê sorte de encontrar soluções pra essas impossibilidades. É sério! Fica torcendo bastante. Vai que o tio do truco resolva lavar toda a louça, fazendo as moscas terem de ir procurar outras refeições, ou então que você dedique um dia qualquer para fazer um comparativo da linguagem usada pelos principais jornais do mundo e formar uma opinião mais concreta sobre a influência da mídia, ou até mesmo que você se contente sabendo que o guarda-chuva que você perdeu não foi necessariamente um dinheiro jogado fora, já que algum sortudo por aí acaba de levar um pra casa (Apesar de eu ter quase certeza que existe um planeta onde os guarda-chuvas são abduzidos).

Somos muito impiedosos com o inevitável. Vamos deixar passar!