Crônica: Desabafo conciso de um escritor amedrontado – Diogo Marins Locci

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Tenho medo de textos meus. Não é medo por achar que são muito ruins. Não é também medo pelos seus tamanhos. Enquanto alguns passam da casa das dezenas, outros acabam na segunda página. Não é também medo da repercussão, porque ela mal existe. Por último, não é também medo de não ser publicado, já que isso se organizará com o tempo.

Meu medo é o de me lançar bem no meio da era da consagração do medíocre. Na época que transcende tecnologicamente, mas que deixa a humanidade acomodada e pouco disposta à reflexão, a ações, revoltas e a aceitação. Eu tenho bastante medo de passar despercebido, de que me avacalhem, de produzir alguma coisa mórbida e que, à priori, não corresponde às demandas de livros que vejo as pessoas lerem e apreciarem, elevando seus autores a níveis, no mínimo, esquisitos. Não estou de forma alguma me colocando acima de alguém, apenas acho que a democratização da literatura é quase inexistente devido a um sistema editorial opressor não tem sensibilidade alguma com o escritor, primando por vendas, vendas e vendas.

Gostaria que as pessoas fossem dispostas. Não pediria mais que isso. Não peço que gostem dos meus textos, já que as diferenças costumam das os impulsos para que as coisas sejam comentadas
e repercutidas. A disposição que eu sonho em ver nos outros é a de dar uma chance a tudo que for diferente da sua própria vivência. Não tenho medo de ser criticado, desde que aconteça a partir da propriedade de quem tem argumentos. Também não temeria por que comprassem poucos livros meus, desde que as listas dos mais vendidos fossem mais dispersas e eu pudesse ver, em livrarias e nas ruas, títulos variados nas mãos das pessoas, que consumiriam literatura fantástica, brasileira, infanto-juvenil e esotérica com a mesma disposição à mudança de quem opta por comida italiana, baiana, japonesa ou por um fast food.

Queria ver sonhos sendo construídos sem interferências tão grandes dos fatores mercadológicos. Que as pessoas parassem de se orgulhar tanto do cansaço por terem trabalhado o dia inteiro e se orgulhassem dos seus momentos reflexivos que, através do background intelectual, as fizeram tomar decisões que sejam de fato relevantes para aplicarem nas suas vidas e nas vidas dos que os rodeiam.

Desejo um dia poder ver pessoas se dispondo mais ao diferente.