Crônica: O primeiro dia – Sté Spengler

Ela olhou sonolenta para o relógio do celular. Cinco e meia da manhã. Ainda estava escuro e a cama era muito convidativa, mas era preciso levantar para enfrentar o novo dia que se anunciava. Ela tomou seu banho e ficou enrolando meia hora com a xícara de café.

Tudo bem, sete horas, é melhor ir andando…

Mal ela chegou ao ponto, o ônibus encostou para levá-la ao seu destino. Estava nervosa, sim, muito nervosa. Ela olhou para o cobrador, um senhor de meia idade, e sorrindo disse-lhe que aquele era o seu primeiro dia no emprego novo. O homem lhe sorriu de volta e tentou tranquilizá-la, afirmando que seria um excelente dia.

Muito bem, respire.



A escola estendeu-se diante de seus olhos e num passo de cada de vez, ela subiu o morro que levava à recepção. Não era uma escola qualquer, era A escola – um lugar com o qual vinha sonhando há muito tempo. Logo na entrada via-se a sala dos professores. Ela engoliu em seco, pensando no novo mundo em que viveria a partir de então. Estava feliz!, e como estava! Mas ainda assim, sentia o nervosismo do temido “primeiro dia”.

Quem nunca ficou nervoso diante de algo novo? O primeiro dia na escola, o primeiro dia no trabalho, o primeiro encontro, o primeiro dia no volante, o primeiro, o primeiro, o primeiro… É exatamente por ser “primeiro” que sentimos um pouquinho de medo. É o medo do desconhecido, o que é completamente normal.

Ela entrou na sala dos professores, fez amizade com uma roda de gente e depois no intervalo com mais outra roda de gente, depois com mais outra roda de gente e assim seguiu. Apresentou-se diante de um grupo com cerca de duzentas pessoas com um microfone na mão e um grande sorriso nos lábios. Participou de leituras, de discussões e já foi tomando a responsabilidade do cargo que ali desempenharia.

O coração parecia seguir o ritmo de uma orquestra – felicidade e expectativa.

Acredito que “não pensar muito” ajuda a superar esse pequeno medo. Sentimos medo porque ficamos matutando em nossas mentes as possibilidades mais absurdas. “E se acontecer isso?”, “e se acontecer aquilo?”. Precisamos simplesmente ir, enfrentar e depois celebrar a nova conquista – pois certamente ela chega.

Doze horas depois, agora cinco e meia da tarde, o tal do primeiro dia terminara. Ela se despediu dos novos amigos e desejou-lhes um ótimo final de semana. Descendo o morro pelo qual antes subira um tanto nervosa, ela agora trazia um sorriso de orelha a orelha. Missão cumprida.

 


Sté Spengler
Graduanda em Letras (Português e Inglês), é educadora e metida a escritora. Apaixonada pela vida e pela palavra escrita, acredita, assim como Clarice Lispector, que escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada. - Críticas e sugestões: @stespengler
Sté Spengler
Graduanda em Letras (Português e Inglês), é educadora e metida a escritora. Apaixonada pela vida e pela palavra escrita, acredita, assim como Clarice Lispector, que escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada. - Críticas e sugestões: @stespengler
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