Crônica: O que deve ser feito com o mal do século – Diogo Marins Locci

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Muito se fala do “mal do século”. Caso não esteja familiarizado com o termo, não tem problema, você com certeza conhece a definição. O mal do século é aquele tempero que quase sempre está sobrando. Ele sobra na literatura, nas novelas, nos filmes e na vida de muita gente. O mal do século é o açúcar que foi colocado três vezes mais numa receita. É o amor, o amor profundo, o que mexe com sua cabeça e te deixa assim, o amor de Romeu e Julieta, o amor que deu margem pras burguesas virarem leitoras ávidas e que fez Hollywood virar uma das maiores indústrias da Terra. O mal do século é o amor mais nojento e embriagante de que o mundo já teve notícias.

Acho a minha dúvida bem legítima: O que devemos fazer com o mal do século? Já é hora (e isso já está acontecendo) de se mudar a concepção do amor romântico que tem perdurado há tantos séculos e que vem salivando seus excessos por aí. A caretice das novelas mexicanas mostraram que as coisas tem mudado. A estagnação dos livros de bancas de jornal também. Muitas pessoas já não vem graça nos modelos pouco prováveis de amor que mais parece obrigação.

A mensagem que eu quero deixar não prevê nenhuma ruptura. Peço para que fiquem atentos ao esvanecimento do mal do século. Que deem a chance para os finais que não são tão felizes assim (outras felicidades virão) e que dispensem tantas comédias românticas e romances “quatro por quatro”. Vamos ver o que o novo traz. “É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”, já gritava Elis Regina ao pé dos nossos ouvidos.

Não proponho rupturas. Não vou me esforçar para adiantar o que o tempo fará o favor de cuidar. Só estou pedindo encarecidamente que você deixe as mudanças fluírem em você. Até por que, até hoje, os exageros de amores indefectíveis parecem só ter funcionado na ficção.