Crônica: Vintage – Juliano Rodrigues

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Ontem estava mergulhado em nostalgia e refletindo sobre as coisas das antigas. Comecei a refletir então sobre coisas que eram das antigas e acabaram voltando. Acabei baixando o Netscape Navigator, para quem não conhece era o grande concorrente do Internet Explorer na década de 90, antes do surgimento do Mozilla ou do Chrome.  Tive tantas outras ideias nostálgicas e gostaria de conversar sobre elas. PS: sei que o termo utilizado no título é etimologicamente errôneo, mas a palavra vintage é tão bonita e traz ares gostosos de saudade, então mantive tal terminologia. Licença literária.

Nasci na década de 80 e fui criado sobre esta influência, Madonna, Michael Jackson, Legião Urbana, Cazuza, Ira, Barão Vermelho… eram os discos mais escutados, junto a outros de maior antiguidade. Gostava de filmes de guerra, os daquela década foram, Nascido para Matar, Platoon, Apocalypse Now. Fora os de outros gêneros como Curtindo a Vida Adoidado e Te Pego Lá Fora. O gênero terror também teve grandes filmes. Eram os melhores anos da História do Cinema Norte Americano.

Minha adolescência, anos 90,  foi marcada pela ascensão da música eletrônica, Paul Van Dik, Dj Dero, Faithless, Gala,… foi a melhor década deste estilo certamente, hoje vivemos a sombra desta década com novas roupagens e versões, estes dias estava escutando uma nova versão de Zombie. Falando desta música, eu ouvia muito Cramberries e U2 naqueles anos, U2 permaneceu, por outro lado e para nossa alegria aquela voz e sotaque inigualáveis da vocalista Dolores do Cramberries também voltaram.

Falando em voltar, o Milkybar voltou a ser Lollo. A vaquinha amarela dos chocolates retornou, e com ela ainda mais prazer para comermos aquele delicioso chocolate. O brinquedo genius também voltou com um visual moderninho, o que não me agradou muito. Porém, podemos conferir o visual antigo no símbolo do Google Chrome. Ah o ICQ retornou também, para quem não conhece é o msn dos dinossauros.

Na real, tudo que é das antigas é melhor. Hoje não se faz mais coisa boa. Mentira! Temos que parar com este tipo de frase. Agora pela manhã firmei meus pés no hoje, e tornei a apreciar o que de bom está sendo feito. Por exemplo, dizem que não se faz mais boa música, porém quem conhece Teatro Mágico, Chimarruts e Criolo sabe que ainda há letras poéticas e maravilhosas sendo criadas. Fora os dinossauros que continuam na ativa como Caetano Veloso e outros supra citados. Na música eletrônica embora a base não seja mais tão inovadora e nem as músicas há experimentos fantásticos como a adição do violino com grande propriedade o que dá um toque sensacional as canções, gostaria de citar a bela Lindsey Stirling e seu fantástico trabalho. No rock vivemos a margem dos anos 80 certamente, no entanto há boas propostas surgindo, como é o caso da banda blumenauense Land Work, que tem feito uma somzeira tremenda.

Saindo um pouco da música podemos perceber a evolução do cinema nacional, nunca se produziu com tanta qualidade por aqui, há um avanço certamente.  No cinema americano, embora não brilhe mais tanto, podemos ver a atuação de grandes gênios como Tarantino, Cohen, Nolan. Também há uma ascensão do cinema europeu e um maior acesso a ele, coisa que não tínhamos nos tempos das fitas. Até filmes indianos e tailandeses temos assistido.

Gostaria de falar também sobre a escrita. Embora tenhamos perdido o excelente Moacyr Scliar, ainda temos um Veríssimo na ativa. Vimos a ascensão de tantos outros cronistas, como o mestre das ladainhas Carpinejar, que já existia, mas era pouco conhecido. Maicon Tenfen e sua acidez aqui em Santa Catarina. Nunca se leu tanto neste país como nos dias de hoje e temos excelentes autores nos mais variados estilos. Em termos de escrita temos muito a comemorar. Claro que não devemos compará-los aos imortais Machado de Assis ou Érico Veríssimo, mas quem sabe na atualidade surja outro imortal que será reconhecido como tal décadas após.

Enfim, devemos apreciar cada coisa a seu tempo sem gerar prisões que limitam nossos gostos e a maravilhosa vivência do hoje. Por alguns momentos fazer uma sessão nostalgia, recordar as maravilhosas coisas do passado e até mesmo chorar de alegres saudades faz parte e é bom. Mas, temos também um dever para com o hoje, de viver e construir cultura, apreciar e estimular o que de bom está sendo feito.

Convido-os a deixarem homenagens nostágicas nos comentários e apreciações da atualidade também.

PS: Ainda queremos a volta do chocolate Surpresa!