Desilusão literária

2
577

Library

Muitos leitores, quando compram um livro, fazem por indicação de um amigo, por conta de uma propaganda da mídia ou por obrigação escolar. Em cada uma dessas ocasiões, tem-se uma ideia, vaga que seja, do que ele irá encontrar no livro e, ao comprar a obra, o leitor já tem uma opinião boa da trama, senão, não iria se dar ao trabalho de adquirir a obra. Ou seja, compra o tal livro porque teve uma boa indicação. Já teve uma opinião sobre o que ele irá encontrar e, dessa forma, a compra é realizada com certo suspiro de alívio, como se pensasse na hora da compra: “Ah, vou me deliciar com a leitura. Afinal, o XXXX disse que o livro é bom!”.

Entretanto, além das indicações há a compra no escuro! Sim, aquela compra que você faz ali, de uma hora para outra, observou o livro, olhou a capa, deu uma lidinha rápida na contracapa, na sinopse do livro e como o vendedor já está olhando para o camarada com olhar de impaciência, a criatura leva logo o livro.

Pois em todas essas ocasiões o cidadão de bem não está livre de sofrer uma desilusão literária! Afinal, gosto não se discute. E não raro são os momentos aos quais a obra não condiz com a vitrine feita para a sua comercialização. Se a sugestão veio de um amigo, alguns são corajosos e reclamam, dizem que foi uma péssima indicação. Outras vezes, a coragem foge e não sabemos como dizer ao amigo que aquela compra foi um desastre! E o indivíduo apenas balbucia: “É… Foi legal”.

Quando a compra foi induzida por alguma propaganda da mídia, colocamos a culpa na tal globalização. Repreendemo-nos e repreendemos os canais midiáticos. Xingamos a nós mesmos e dizemos: “Viu só! Fui atrás da propaganda!  Eles fazem isso só para vender essa droga! E eu caí como um patinho. Nunca mais!”.

No entanto, quando a compra foi obrigatória, por indicação da professora, aí quem leva a culpa é a docente. A megera ganha um chapéu de bruxa e predicados impublicáveis e o comprador da obra sai ileso: “Eu já sabia! Só podia ser uma obra ruim. Tudo culpa dela! Professores só mandam comprar porcaria que não é útil!”.

Entretanto, quando o camarada compra por vontade própria, porque gostou da capa, do título, das ilustrações, do tamanho da letra, ou seja lá o motivo ao qual o levou a ir até o caixa e pagar pelo objeto em questão e, essa leitura não traz nenhuma alegria ou prazer, ou seja, foi uma péssima leitura, a culpa é de quem? Ora, a culpa é do vendedor, é óbvio, afinal outrora ele havia lançado olhares acusadores ao pobre comprador de livros.

Afinal, de quem é a culpa pelas desilusões literárias que passamos pela nossa vida?