Dia Nacional da Poesia – Quinta da Poesia Primeira Edição – Metapoesias

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“Oh! Bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia…
E manda o povo pensar!
O livro cainda n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.”
Castro Alves

Hoje é uma data especial, em primeiro lugar por honrar os poetas nacionais, de modo especial Castro Alves que recebe a homenagem póstuma de ter na data de sua morte tal comemoração. Em segundo por ser o início do projeto de articulação e divulgação dos poetas em exercício, toda quinta irei publicar aqui alguns poemas e ensaios enviados por aqueles que assim desejarem, bem como, ocasionalmente poesias minhas, será chamado Quinta da Poesia. Este projeto nasceu de forma ousada, visando gerar demanda para que poetas atuais sejam publicados, bem como, fomentar e proliferar a poesia. A origem do projeto é o manifesto “morte à poesia“.

Publicarei sempre em torno de duas ou três poesias dando oportunidade a uma participação plural, como também para não cansar o leitor, logo, tenham paciência caso seus poemas ainda não estejam presentes nesta edição, já recebi dezenas de poemas, mas espero centenas em breve. Buscarei separar por temas, hoje opto por metapoesias, aos iniciantes, são poemas que relatam sobre o processo criativo de fazer poesia. Enfim, falei demais até agora, vamos aos poemas:

 

ALMA DE POETA

Minha alma coloco diante de vós
Como um livro aberto
– um livro antigo, velho –
Escrito com a ferruginosa tinta
Que brota do coração
E com as etéreas palavras
Que perfumam a mente
– inspiradas pela alma,
mas revestidas com conhecimento!

Folheai com respeito,
Pois nas páginas
Do meu Livro da Vida,
Lereis uma alma
Que exultante se desnudou
Para vosso deleite!

Jair F. da Silva Jr.

FIM DA POESIA
Morre a poesia
De angustia
De dor
Menina dengosa
Desperta
Agora
O fim próximo
Confuso
Amargor.
Deise E. Peixoto

MEU VENTRE CRIADOR

Desta agonia aguda e fina
Se contrai meu coração
O vento me chora
O sol me apaga
A escuridão me contamina!

Esta agora,
A minha alma extraviada
Em devaneios mal vividos
Em amores mal escritos
Por enganos sem volta!

Esta agora,
A dor intensa
Ato poético
Sepulcrada agonia
Em túmulos graníticos, frios
Ferindo de amor
Toda a esperança baldia

Tarde lúgubre,
Fel e pó do dia!
Vinhos e flores agora me sangram
Apenas distância sem mar
Pegadas na areia
E ilusões esmaecidas

Em agonias poéticas
Minha angústia é meu ventre criador…!

Celeste Fontana

 

Nosso caro Jair Jr.  falou sobre o ser poeta, um ser aberto e sensível, que traz sua alma nua para o prazer alheio. Deise Peixoto fez uma singela e maravilhosa brincadeira com a poesia após ler o manifesto “morte à poesia”, e por brincar trouxe à tona uma das maiores qualidades do poeta, a de ser uma eterna criança, aprisionada a um corpo adulto. A nossa Maestra Celeste Fontana nos traz de volta a dor, que nos faz gemer, que vem com sangue, para que assim possamos gerar a vida e criar. Espero que assim como eu, vocês tenham se deliciado com estes belos poemas.

Caros poetas! Não sejam tímidos, enviem para [email protected] as suas poesias e ensaios, para que possamos celebrar e realizar grandes banquetes. Aos que já enviaram obrigado e peço para que aguardem, em breve serão publicados. Amados deixem suas impressões sobre as obras e o formato do projeto. Enquanto preparam seus comentários, deixo-vos com o imortal Castro Alves, com O Navio Negreiro na voz de Caetano Veloso.

Atenciosamente
Juliano Rodrigues