Entre nós & entrelinhas: Assis Brasil e a Criação Literária

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A Secretaria de Educação/RS, SEDUC, realizou nos dias 5, 6 e 7 de agosto/2013, em Porto Alegre/RS, no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari, CAFF, uma Oficina de Criação Literária para os professores da rede pública estadual que atuam em sala de aula. Essa oficina foi destinada à área da Linguagem e contava com os palestrantes: professor, escritor e Secretário Estadual da Cultura, Luiz Antônio de Assis Brasil, a professora e escritora, Valesca de Assis (esposa do escritor), a professora e oficineira, Gabriela Silva (oficina de Haicai) e o escritor e contador de histórias, Antônio Schimeneck (sarau). A oficina iniciou com a fala do Secretário da Educação/RS, José Clóvis de Azevedo e contou com a presença e organização de Maria do Carmo, coordenadora do SEBE/RS (Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares).

Eu estava lá! Sim, como professora estadual do RS, eu pude estar presente e aproveitar as dicas, as sugestões e, principalmente, a experiência dos palestrantes, como o escritor Assis Brasil, que abrilhantou os três dias em que esteve explanando e auxiliando os professores que estavam presentes. O escritor Assis Brasil ministra um curso de extensão na PUC/RS também com o enfoque na produção escrita e, nesses dias, ele fez um recorte dos ensinamentos ministrados no curso de extensão. Portanto, vou listar alguns desses ensinamentos tão, generosamente, passados para nós professores ali presentes. Quero, entretanto, deixar claro que as frases aqui escritas foram ‘anotadas’, enquanto os palestrantes mantinham um diálogo bem aberto conosco e também, algumas das minhas impressões pessoais.

A seguir eu listei algumas das ‘pérolas’ que eu ‘captei’ para a minha vida profissional e pessoal. Espero que vocês gostem e aproveitem:

José Clóvis de Azevedo, Secretário da Educação/RS (abertura da oficina):
• “A Oficina de Criação Literária é rica, estimuladora e agregadora de valor intelectual para os profissionais da educação e ajudará muito em sua capacitação profissional”.

Professora e escritora, Valesca de Assis
Professora e escritora, Valesca de Assis

Valesca de Assis, professora e escritora:
• A Literatura é uma verdade interior;
• Quem quer ser escritor deve se entregar;
• As três primeiras linhas devem prender o leitor;
• As palavras mais simples vão dizer as principais ideias;
• Só não recebe críticas quem não faz nada.

Professora e oficineira, Gabriela Silva
Professora e oficineira, Gabriela Silva

Gabriela Silva (oficina de Haicai), professora e oficineira:
• Respeitar o seu país é conhecer e falar, corretamente, a sua língua;
• É com o uso da linguagem que desenvolvemos o que há de melhor no ser humano;
• Menos é mais;
• A narrativa é muito mais óbvia do que a poesia;
• A produção poética promove o estímulo à imaginação, aos desdobramentos da linguagem, ao lúdico e à musicalidade.

Professor, escritor e Secretário da Cultura/RS, Assis Brasil
Professor, escritor e Secretário da Cultura/RS, Assis Brasil

Assis Brasil, professor, escritor e Secretário da Cultura:
• O que é o literário?
• É mais fácil sentir do que fazer o literário;
• Literatura é o território da liberdade;
• Não podemos definir o literário, mas podemos senti-lo;
• Todo escritor tem um caderno de anotações;
• Ao escrever temos que manter a qualidade da surpresa para o leitor;
• Existe no literário, algo que não dominamos completamente;
• Quando o leitor diz: “Ah… Agora eu entendi!”, isso é Literatura;
• Todo bom texto literário tem dois planos: o que é visível e o que não é visível. O autor não quer contar o visível, mas o invisível. É isso que leva o escritor a escrever;
• Quem escreve deve ir até certo ponto. Ele não deve explicar a história;
• A verdadeira história sempre estará ligada ao humano;
• Eu (AB), atualmente, só tenho ideias, as lembranças já se foram;
• O literário trabalha em circunstâncias em que há contradição, no que nos faz pensar sobre o que lemos;
• Quando o lugar é comum não há a Literatura;
• Devemos fugir do lugar comum, o leitor não lê o lugar comum;
• O clichê nos impede de escrever;
• A boa obra literária nos faz lê-la várias vezes, nos instiga a construir o subtexto, decifrá-lo. E, na medida em que vamos decifrando-a, vamos criando uma coautoria. Está salva a obra;
• Personagens devem ser geralmente, seres humanos, salvo em obras infantis, essas podem contar com animais ou objetos;
• A personagem carrega toda a história. Não há personagem sem história e não há história sem o conflito;
• Os livros da “estação” (50 tons de cinza), os mais vendidos e depois esquecidos não têm personagens relevantes. São personagens sem a densidade humana, por que não estabelecem relação com o escritor;
• A personagem é que desenvolve o conflito, o drama. Antes de termos a história, temos que ter bem definido a personagem e suas características;
• Quando o conflito se resume em que um deve vencer e o outro morrer… Isso não é literário, pois nos leva a chegar ao final da história e acabou, não tem mais nada, não leva a nada. Não é para sempre;
• Temos que, ao escrever, exercitar a sensibilidade do leitor, devemos trabalhar com os sentidos do leitor;
• Uma história não se faz de textos literários, mas de personagens;
• Devemos começar uma história quando sabemos o que a personagem quer. É o desejo da personagem que faz a história;
• O que o autor pensa do próprio livro não tem sentido. Não tem nada a ver;
• Temos que acarinhar o leitor, encantá-lo;
• Depois de lido o que ficará do romance é a personagem, não a história;
• Toda personagem é forte quando ela é única;
• São as dúvidas, as contradições da personagem que geram a história, não as suas certezas;
• O trabalho de escrever nunca tem fim;
• Quanto mais escrevemos, mais temos dúvidas.

Escritor e contador de histórias, Antônio Schimeneck
Escritor e contador de histórias, Antônio Schimeneck

Por fim (tenho muito mais anotações, mas se eu colocasse tudo, corria o risco de perder leitores, (risos)), ainda tivemos, com o escritor e contador de histórias, um sarau literário, com algumas contações de histórias.

Espero que vocês tenham gostado dessa pequena lista.
Luz e livros para todos.