“Boa literatura e boas histórias, reais ou não, são a nossa linha editorial” — entrevista com o jornalista Luiz Otávio Alvarenga

0
602

O jornalista Luiz Otávio Alvarenga, idealizador da editora Solo, acredita que o livro impresso ainda tem um longo caminho pela frente

Luiz Otávio Alvarenga

Luiz Otávio Alvarenga trabalhou há 15 anos como jornalista, passando por veículos de comunicação de destaque do país, como a extinta Rádio JB AM, Jornal dos Sports, Tribuna da Imprensa, Revista Manchete, entre outros. Com a experiência na Ediouro, no final dos anos 90, surgira-lhe o desejo de abrir sua própria editora de livros. Porém, migrando das redações cariocas para a docência universitária, onde fora professor de Comunicação e coordenador da Agência Experimental de jornalismo, responsável pelos jornais publicados na extinta Universidade Gama Filho (UGF), o jornalista precisou dar intervalo no projeto por alguns anos.

Passado mais de uma década, o sonho de Luiz Otávio, por fim, se concretiza em 2015, onde os desafios do mercado editorial brasileiro são outros, entre os quais entram em confluência o advento do mundo digital e a atual crise financeira do país. Mas o jornalista e diretor da editora Solo é otimista, apostando em qualidade e inovação.

Em abril deste ano, a editora carioca estreia com o inédito A Verdade Nunca Morre, de William C. Chasey. Nele, o autor norte-americano relata a perseguição que sofrera do governo americano por ter se recusado a colaborar com a CIA, a fim de assassinar dois agentes líbios. Chasey foi um dos lobistas mais influentes e respeitados de Washington. Trabalhou para clientes privados e governos estrangeiros, além de ter sido contratado para normalizar as relações entre os EUA e a Líbia.

Em entrevista exclusiva para o Homo Literatus, o jornalista e editor-chefe Luiz Otávio Alvarenga fala um pouco sobre o planejamento editorial da Solo, o papel do livro impresso na era digital e os desafios de se abrir uma nova editora no país.

 

 

H.L.: Pode falar um pouco sobre a ideia de criar a Editora Solo?

L.O.: A editora é um projeto pessoal antigo. Mas ela só foi criada de fato em 1998. Três anos depois, quando comecei a lecionar, decidi desativá-la. Não havia como conciliar a gestão da editora com a docência. Ano passado, achei que era a hora de reativá-la, agora definitivamente.

H.L.: Qual será a proposta inicial deste novo projeto e o planejamento editorial de seu catálogo?

L.O.: A Editora Solo não tem uma linha editorial claramente definida. No curto prazo nosso foco são romances, memórias e livros-reportagem. Mas, mais à frente, pretendemos publicar também livros nas áreas de ciências humanas e sociais. Na verdade, o que queremos dizer com “boa literatura e boas histórias, reais ou não, são a nossa linha editorial, independentemente de gênero e origem”, é que vamos procurar sempre privilegiar conteúdos relevantes e de qualidade. Por enquanto vamos investir só em traduções.

H.L.: Como o senhor visualiza a questão do livro nos dias de hoje, em que o ambiente digital tem se tornado cada vez mais parte da vida social das pessoas? Como pensar no produto livro hoje dentro do mercado editorial brasileiro?

L.O.: Não são produtos conflitantes, mas complementares. O livro impresso ainda tem um longo caminho pela frente e é — e acredito que continuará sendo por muito tempo ainda — a principal fonte de receita das editoras.

H.L.: A Editora Solo inicia seus trabalhos com a publicação de A Verdade Nunca Morre, do autor norte-americano William C. Chasey. Como foi trazer a obra inédita de Chasey para o Brasil? Como tem sido feito a seleção dos livros?

L.O.: Foi uma negociação relativamente simples, graças à compreensão e à cooperação de sua agente literária nos EUA, Sylvia Hayse. O trabalho de seleção de livros tem sido intenso, mas muitas vezes ingrato. Nem sempre conseguimos o que queremos. Ou porque os direitos já foram adquiridos por outras editoras brasileiras ou custam mais do que podemos pagar agora.

H.L.: Em termos de produção nacional, o que podemos esperar para os próximos meses?

L.O.: Temos um projeto de livro-reportagem, mas nada concreto por enquanto.

H.L: Escritores ainda não publicados terão chances na Editora Solo? Como será feito esse processo? L.O.: Como já dissemos, nossa estratégia inicial é investir em traduções. Com o tempo pretendemos também investir em novos autores, claro. Mas não temos como precisar quando.

 

Para mais informações sobre a Editora Solo, acesse:

http:\\www.editorasolo.com