Especial Sci-Fi – Realidades adaptadas, de Philip K. Dick

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Saiba por que Philip K. Dick e Realidades adaptadas ainda merecem ser lidos

Philip K Dick1. “Estou paranoica. Troquei minhas senhas, cubro as câmeras do meu celular e não uso e-mails. Hoje os telefones sabem até quantos passos você dá e essas informações podem ser usadas para a solução de crimes.”

2. “No último dia 1º, um operário da Volkswagen na Alemanha foi morto por um robô que ajudava a montar. Na quarta (8), a movimentada Bolsa de Nova York parou por mais de três horas por um problema técnico sem explicação.”

3. Os dois trechos acima foram extraídos do caderno Ilustrada, do jornal Folha de S. Paulo, no último domingo (12). O primeiro é uma declaração da atriz Patricia Arquette, que estará na série CSI: Cyber liderando uma equipe contra criminosos digitais. O segundo vem da coluna Critica Serial, de Luciana Coelho, em texto sobre a série (também sobre hackers) Mr Robot. Mas eles bem poderiam ser o enredo de alguma história de Philip K. Dick (1928 – 1982).

4. O escritor norte-americano sempre trabalhou com a ideia de que o homem é feito de medos e memórias (os romances Fluam, minhas lágrimas, disse o policial e O homem do castelo alto são exemplos disso). Em Realidades adaptadas, coletânea de sete contos que viraram filmes e editada pela Aleph, Dick explora intensamente esse tema. Suas personagens habitam mundos distópicos dominados pela paranoia. As máquinas criadas pelos seres humanos desenvolveram a habilidade de imitá-los. Clones mortíferos se misturam à população, despertando um estado de alerta geral.

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Realidades Adaptadas (Aleph, 2012)

5. Trata-se de um livro voltado não apenas a literatos, mas principalmente a cinéfilos sci-fi. Quem gostou d’O Vingador do Futuro, dirigido por Paul Verhoeven e protagonizado por Arnold Schwarzenegger, certamente apreciará “Lembramos para você a preço de atacado”, conto que originou o filme. Douglas Quail tem lembranças de um passado que não viveu – ou pelo menos pensa não ter vivido.

6. Em Segunda variedade (Screemers – Assassinos Cibernéticos), o mundo está devastado pela guerra tecnológica entre Rússia e Estados Unidos – clara alusão à Guerra Fria. Robôs criados pelos americanos apresentam-se em quatro variedades humanas. Porém, a segunda delas é desconhecida. Soldados lutando para sobreviver não sabem se podem confiar uns nos outros.

7. Impostor (filme homônimo) é a história de Ollham, indivíduo que precisa correr contra o tempo para provar que não é um robô desenvolvido para matar. Mas será que ele é mesmo inocente?

8. Philip K. Dick não viveu o suficiente para ver seus escritos adaptados para o cinema. Também não teve como saber (ou será que já sabia?) que as realidades que criou não seriam apenas adaptadas. Pode-se ver pelos dois fragmentos iniciais do texto que tais previsões fazem parte do mundo em que vivemos.