Intervalo: Assando as lombrigas – Cláudia de Villar

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Ir a um supermercado para fazer compras com fome é uma tarefa muitíssimo difícil. Não sei se vocês já foram, mas é algo quase suicida. Pois acabamos comprando o que queremos e o que não queremos. Na maioria das vezes, gastamos mais do que poderíamos naquele momento, mas é quase dolorido passear pelos corredores e ver tudo aquilo exposto nas prateleiras e não pegar umas coisinhas aqui… Outras ali.

Pois foi, exatamente esse problema, que aconteceu com Melissa.

Melissa tinha saído de casa às pressas e não teve tempo de tomar um café adequado. Ou seja, ela praticamente engoliu um café preto e saiu para o trabalho. E como tudo pode piorar, aquela manhã no serviço estava sendo uma tortura. Alguns colegas, após o final de semana, resolveram contar para a turma toda, como havia sido o aniversário de uma sobrinha, o churrasco na casa de amigos, a macarronada na casa da cunhada, a lasanha que a sogra havia feito, enfim… Comida, comida e comida.

Melissa já sentia as lombrigas a mil em seu corpo. Ai que fome!

E, para piorar o que já estava terrível, em sua frente, na tela do computador: comida, comida, comida.

Os amigos do face tinham tirado a manhã para postarem fotos do final de semana farto e repleto de… Comida. E ainda tinham aqueles que, perto da hora do almoço, resolviam colocar fotos de pratos suculentos. Melissa podia sentir o cheirinho daquelas comidas.
E as suas lombrigas continuavam a dançar em sua barriga.
Roummmm …. Roummm…

Perto do meio dia, já um pouco mais alegrinha (iria poder almoçar), Melissa já esboçava um sorriso amarelinho. Porém, o seu sorriso transformou-se em lágrimas suculentas quando o seu chefe pediu para ela ficar um pouco mais, cobrindo outra funcionária que não havia ido trabalhar naquele dia.

As lombrigas reclamaram.

O mais terrível foi quando ela foi intimada a escrever a ata da reunião da tarde.

Na sala, todos em silêncio prestando atenção no vídeo ilustrativo e Melissa só rezava baixinho: “Barriga… Não ronque. Não faça barulho”. Ainda bem que as preces foram atendidas e as lombrigas famintas ficaram quietas.

Após a reunião, que durou umas duas horas, o chefe liberou-a mais cedo (pelo menos isso). E, antes de ir embora, Melissa resolveu dar um tchauzinho para a galera do face. Meu Deus… Mais comida! Agora era com fotos de bolos e doces, afinal, era hora do café da tarde! Melissa não se conteve, a imagem da postagem da sua amiga Flávia (Souza) havia ficado em seu cérebro. E Melissa foi diretamente ao super mais próximo para comprar algo para aplacar a sua fome. Suas lombrigas estavam desesperadas!

Ai que fome!

Mas, na ânsia de matar a fome de suas lombrigas esfomeadas, Melissa foi enchendo o carrinho além de ir comendo todos os petiscos e guloseimas que eram oferecidas no supermercado e, após tanta comilança, ela sentiu sede. E a primeira coisa líquida que ela encontrou em sua frente foi uma gôndola de café ao qual tinha uma atendente muito simpática e que conquistou Melissa (naquele momento não precisava de muitos argumentos para conquistá-la). Ela pegou aquele copo de isopor, ou seja lá de qual material era feito aquilo, e bebeu o líquido num gole só, sem pensar em nada… Apenas em suas lombrigas.

Lombrigas?! Bem, naquele instante, após aquele café super quente (tinindo), suas lombrigas estavam assando.

Por fim, com a língua “queimada” e as lombrigas assadas, nada mais restou à Melissa do que passar o restante daquele dia deitada, esperando a dor passar.

Ai que dó das lombrigas assadas!

Até o nosso próximo Intervalo.