Minhas Férias Inesquecíveis

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Abandonar as férias para voltar à rotina muitas vezes não é legal. Principalmente quando esta rotina significa um ‘adeus’ à vida boa, às férias, ao ‘não ter hora para acordar’.

E quando voltar à rotina traz consigo voltar às aulas… Bem… Tem gente que, definitivamente, define este momento como um momento triste em sua vida. E a volta às aulas lembra o quê? Aha!!! Quem nunca ouviu a famosa frase: “Alunos, hoje eu vou pedir para que vocês façam uma redação relatando os seus maravilhosos dias de férias! Ah, sejam criativos, verdadeiros e fujam da mesmice!”.

Portanto, trago hoje aqui neste Intervalo uma redação muito, digamos… criativa e verdadeira que foi escrita pelo aluno Washington da Silva. Eis a redação:

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Minhas férias inesquecíveis

Como todos sabem, janeiro e fevereiro é o intervalo entre uma chatice, a escola, e outra chatice, aturar por 24h a minha mãe (todos os dias). Com o perdão da palavra, que vida mais chatonilda esta a minha. E, para completar, quero relatar aqui as minhas férias de verão. Sem esconder nada, sem inventar nada, sem tentar enganar a ninguém. Sem, sem, sem. Sem nada de legal para dizer, afinal.

Em minhas adoráveis férias eu não fui pro sítio do meu avô Gumercindo, porque o ‘véio’, além de não ter sítio nenhum, teve um ataque do nervo ciático e ficou numa cama por 30 dias. A vovó Setembrina também não me convidou para comer seus deliciosos bolos de chocolate, pois além de ter que ficar cuidando do vovô ela não sabe cozinhar nem um ovo.

Nos dias que formaram as minhas sublimes férias eu não pude ir ao estádio de futebol com o papai porque ele fugiu de casa com a gostosa da minha vizinha. Também não fui ao cinema com a minha querida mamãe, porque ela ficou ‘P’ da vida por conta do sumiço do papai e ficou a chorar e a se embriagar pelos cantos da casa.

Em minhas singelas férias eu também não pude ir ao shopping com os meus amigos, porque todos foram viajar para casas de parentes e eu tive que ficar aqui sozinho, pois não tinha uma viva alma sequer aqui na redondeza que quisesse jogar uma pelada comigo.

Ah, também não ganhei aquele super, mega, extraordinário celular do momento, porque aqui em casa mal se tem dinheiro pra comer. O tablet que eu pedi para o Papai Noel também ficou pro futuro… Quem sabe na outra encarnação eu ganhe.

Nesses dias doces de férias, eu não fui à pizzaria, à sorveteria, a algum restaurante ou a um barzinho da esquina, porque minha mãe sempre me ensinou que comer fora é coisa de gente fresca que não tem nada pra fazer na vida e aqui todos temos que ir para as esquinas pedir um trocado para ajudar nas despesas da casa, além do mais, ou comemos fora num único dia ou jantamos durante um mês. A última alternativa foi vencedora.

Por fim, as minhas férias foram uma droga. Uma singela porcaria. Mal via a hora de poder voltar à rotina para poder zoar com meus coleguinhas de classe e comer a deliciosa merenda da tia Neca do refeitório.

Obs.: Professora, eu tentei ser o mais criativo e verdadeiro possível.

As obras da autora Cláudia de Villar

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