Leia Donnie Darko, veja Donnie Darko

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Por que você deve ler o roteiro do filme Donnie Darko, vê-lo e lê-lo num looping infinito

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Esse não é um texto que tem como proposta explicar qualquer um dos níveis interpretativos do filme. Se você chegou aqui na esperança de encontrar uma resposta ou ajuda para encontrar um resposta com explicações, esse não é o seu lugar. Donnie Darko nunca foi uma obra fechada e talvez seja isso o grande barato dela. Se você ainda não viu o filme, por favor, vá ao Netflix, assista-o e então retorne.
Donnie Darko é um filme de 2001 no qual o personagem título, um adolescente com problemas psicológicos vê as aparições de Frank, um coelho gigante, e tem seu quarto destruído por uma turbina de avião que ninguém sabe de onde veio. Donnie sobrevive à queda graças à uma chamada de Frank no meio da noite, na qual o coelho avisa que o mundo acabará em vinte oito dias, seis horas, quarenta e dois minutos e doze segundos.
Estranho?
O filme se desenvolve em volta de vários temas a partir desse mote: viagem no tempo, relações humanas, solidão, morte, sistema educacional (e seus problemas) etc. É incrível pensar que Richard Kelly, o diretor e roteirista do filme, tinha apenas vinte e seis anos na época do lançamento e que este foi o primeiro e único filme bom que ele dirigiu. Transformado em filme cult, Donnie Darko nunca foi unanimidade entre o público, muito menos entre os próprios fãs enquanto qual/quais é/são o(s) significado(s) dele.

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Donnie Darko, Dark Side, 2016

Este ano, a editora Dark Side lançou o roteiro original do filme junto com uma longa entrevista com o diretor, entre outras coisas. Além de ser um livro muito bonito, a entrevista com Richard Kelly dá algumas pistas de qual era a intenção dele ao criar Donnie Darko – mas não, ela não dá resposta definitivas, assim como o livro. O roteiro vale muito para quem assim como eu quer apreender a história a partir da sua origem. Lendo as cenas, inclusive as que foram cortadas na edição final, conseguimos observar os pequenos detalhes que por vezes nos escapam à vista numa primeira ou segunda assistida do filme – é muita informação para um único filme. Além disso, depois do roteiro, há a integra do livro que Roberta Sparrow, a Vovó Morte: A filosofia da viagem no tempo. Livro que Donnie lê durante o filme e que no corte do diretor aparece.
Depois de ler o roteiro, creio que a maioria também terá mais perguntas do que respostas. Assim o círculo de ler o roteiro e assistir o filme num looping eterno na tentativa de desvelar um pouco mais de Donnie Darko será inevitável. Um obra como essa não foi feita para ser fechada numa caixa de categorias simples e aí que reside toda a graça dela. Esta é uma daquelas famosas obras abertas citadas por Umberto Eco. Se o filme continua a arrebanhar fãs quinze anos depois seu lançamento, é porque os segredos do primeiro filme de Richard Kelly são mais um quebra-cabeça proposto para nos fazer pensar sobre nós mesmos do que realmente desvendar o que é o que em Donnie Darko.
Enfim, Donnie Darko se mostra como uma daquelas que sempre tem que ser revisitadas.
Achou complicado?
Leia o livro da Dark Side. É um investimento muito válido. Se quiser mais informações, clique aqui e veja direto na editora.
Ainda deixo o vídeo mais legal sobre o filme, do canal Pipocando, falando sobre o filme e algumas teorias sobre Donnie Darko.