Lord Byron, ultrarromântico, boêmio e libertino

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Byron possuía todos os aspectos de um típico ultrarromântico, boêmio, libertino, melancólico e perfeccionista ao extremo, não restando dúvidas do quanto este grandioso poeta sofreu no meio de tamanha batalha pessoal.
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Lord Byron na versão do tumblr “BAD ART FOR BAD PEOPLE”

De uma mente perturbada e uma infindável revolta com os preceitos da época, nasce um dos maiores escritores de toda uma época. George Gordon Byron (Londres, 22 de janeiro de 1788 — Missolonghi, 19 de abril de 1824), mais conhecido como Lord Byron foi um dos mais notáveis e influentes poetas do Romantismo, transmitindo em seus poemas todo o peso de uma das fases mais sombrias e intensas da época literária.

Os pais de Byron vieram de famílias tradicionais. Seu pai, o Capitão John Byron, acostumado a viver rodeado de luxos e boemias, acabou com toda a riqueza de sua família. Já Catherine Gordon Byron, sua mãe, vinha de uma família de Gordons escocês, muito conhecida pela violência e ferocidade. A criança que nasceu deste relacionamento desenvolveu desde cedo o hábito pela leitura, passando mais tempo no meio dos livros do que brincando com os garotos da sua idade, consequentemente se tornando menos social do que as demais crianças, traço que o acompanharia durante toda sua vida.

A segunda fase intitulada de Ultra Romantismo, Mal do Século ou Byronista deixa claro a ligação que o poeta teve entre seu trabalho e os aspectos característicos deste estilo literário do século XIX. Enquanto na fase anterior do Romantismo havia o sentimento de nacionalismo, amor aos preceitos de seu país, a vontade de se manifestar e ser ativo ao que acontecia ao redor, na segunda fase já não se notava isso. O desejo de reclusão era total, de sentir a melancolia, de sofrer por um amor platônico sem ao menos deixar claro seus sentimentos, desenvolvendo uma ironia masoquista que culminava na total falta de amor próprio e na elevação da imagem feminina tida como a morte. O ultrarromântico não aceitava a realidade, preferindo viver em um mundo ilusório de fantasia, onde pode desenvolver a perfeição em seus pensamentos e sofrer por não poder concretizar seus desejos – ele então foge para o seu mundo particular. Desta forma, o poeta se sente liberto das condições do mundo, crendo que não sofrerá, pois apenas viverá segundo seu próprio desejo. Feito isso ele se depara com o delírio da morte, uma vez negado a vida, apegando-se à nostalgia do passado, em suas idealizações e aos seus “fantasmas”.

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Lord Byron

Byron possuía todos os aspectos de um típico ultrarromântico, boêmio, libertino, melancólico e perfeccionista ao extremo, não restando dúvidas do quanto este grandioso poeta sofreu no meio de tamanha batalha pessoal. Até mesmo a forma de sua morte, uma complicação sanguínea juntamente com febre, não foi umas das mais tranquilas formas de se despedir da vida. O que podemos afirmar é que sua rica produção literária nunca se dissipará, assim como suas agonias ainda podem ser sentidas nos corações de muitos poetas.

 Poema: A uma taça feita de um crânio humano

Não recues! De mim não foi-se o espírito. . .
Em mim verás — pobre caveira fria —
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!. . . que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
—Taça — levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
. . . Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.
E por que não? Se no correr da vida

Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p’ra alguma coisa!

 Tradução: Castro Alves, 1870.