Lugares para escrever

Os locais de inspiração e nascimento de histórias famosas de oito autores

Bateman's House
Bateman’s House

O escritor Stephen King, no livro Sobre a escrita, sugere que, “para escrever com o máximo de suas habilidades, convém construir sua própria caixa de ferramentas e depois trabalhar a musculatura para carregá-la com você. Assim, em vez de topar com um trabalho difícil e desanimar, talvez você saiba pegar a ferramenta certa e partir para o trabalho imediatamente”. Mas o que pode ter nessa caixa de ferramentas?

Para muitos escritores, essa caixa é a própria casa. Autores famosos fizeram ou fazem de sua própria biblioteca pequenos e aconchegantes estúdios de escrita para fazer a imaginação fluir livremente. O site The Art of Manliness lista os locais de inspiração de importantes nomes dos últimos dois séculos, também nos inspiramos aqui no Homo Literatus, e acrescentamos outros lugares que vale a pena a visita. Há desde imponentes espaços, com centenas de livros, como é o caso do escritório que o poeta e escritor britânico de contos infantis, Rudyard Kipling. Ele escrevia em uma isolada residência datada do século 17, a Bateman’s House, localizada em Sussex, na Inglaterra. Lá, o autor chegou a escrever que a casa, desde o momento que a viu, tinha, em cada cômodo, sombras do passado, misérias sufocadas, arrependimentos e era perfeita para criar histórias.

O que os escritores parecem ter em comum é a necessidade de silêncio e isolamento. Roald Dahl, autor de A fantástica fábrica de chocolate, construiu o próprio estúdio de escrita sozinho, na cidade de Buckinghamshire, no interior da Inglaterra, em 1965. É uma minicasa onde todos da família do autor eram proibidos de entrar. Dahl afirmou que, quando um autor está escrevendo, se torna outra pessoa, entra em um mundo diferente. Ele próprio desenhou as cortinas do estúdio, para que nada do mundo exterior pudesse influenciá-lo. Apenas uma pequena luz sobre o quadro de desenhar era suficiente para que ele pudesse se perder em seus pensamentos. “O tempo desaparece completamente. Você pode começar o trabalho às nove da manhã e, quando olha para o relógio, já é hora do almoço”, escreveu o autor sobre a influência do estúdio no processo criativo.

Para criar as aventuras de Sherlock Holmes e elaborar os complexos esquemas de dedução do detetive, Sir Arthur Conan Doyle se refugiava em um estúdio em Crowborough, East Sussex, na Inglaterra. Antes de falecer, em 1930, pediu para que fosse sepultado perto do local de escrita. Apesar de ser um personagem fictício, é claro, todos podem visitar também o estúdio de Sherlock, que fica no Sherlock Holmes Museum, em Londres, no endereço mais conhecido da literatura detetivesca: 221B Baker Street.

Outro ponto aberto a visitas é a residência de Charles Dickens, em Londres. O Charles Dickens Museum fica na 48, Doughty Street. A casa em estilo georgiano tem um andar repleto de livros e uma imponente escrivaninha onde o escritor se dedicava às suas narrativas. Foi nesta casa que nasceu Oliver Twist, uma das mais encantadoras histórias do escritor.

o estúdio de Jack London
o estúdio de Jack London

O estúdio de Jack London, autor de O lobo do mar, tinha sim um escritório, mas era em um pequeno chalé anexo à casa, que ficava em Sonoma Valley, na California, que o escritor criou seus enredos. A vista para os lindos vinhedos do local, a partir de uma espécie de bay-window que continha uma cama para descansar, provavelmente ajudava muito na concentração do escritor.

Neil Gaimain construiu um minúsculo gazebo, em meio às árvores, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. Um local selvagem, que estava abandonado, é o ponto de inspiração de Gaiman há 15 anos. Segundo o autor,  o gazebo “fica longe do wi-fi, porém, perto de tudo o que é bom”.

Norman Mailer, autor de O exército da Noite e A canção do carrasco, desenhou todo seu apartamento com a temática náutica e o local é reservado para seus livros e memorabilias. O curioso da arquitetura da residência é a série de escadas e rampas que lembram o interior de uma embarcação. Mas para não haver distrações, Mailer gostava de escrever em um pequeno espaço da casa, completamente desprovido de decoração.

Em São Paulo, é possível visitar o estúdio do poeta Guilherme de Almeida. O espaço, que fica na rua Macapá, 187, na capital, abriga também o Centro de Estudos de Tradução Literária. O museu biográfico, criado em 1979, reúne diversas obras de artes, sobretudo as do período do Modernismo, com trabalhos de artistas importantes, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano di Cavalcanti, Lasar Segall e Victor Brecheret. No sótão, fica o estúdio do escritor e a biblioteca, com pequenas janelas, de que o visitante pode tentar vislumbrar a cidade de inspiração do escritor.

 

Referências:

Sobre a escrita, Stephen King, Suma de Letras

The Art of Manliness

Casa Guilherme de Almeida

Charles Dickens Museum

Sherlock Holmes Museum

Dora Carvalho
Dora Carvalho é jornalista e doutoranda em Comunicação e Práticas do Consumo pela ESPM-SP. É leitora voraz de clássicos à livros de fantasia. Adora autores britânicos, mas, de vez em quando, cai de amores por escritores italianos e da América Latina. Escreve como autora no blog sobre cinema e séries +Cinelivre: www.maiscinelivre.blogspot.com.b
Dora Carvalho
Dora Carvalho é jornalista e doutoranda em Comunicação e Práticas do Consumo pela ESPM-SP. É leitora voraz de clássicos à livros de fantasia. Adora autores britânicos, mas, de vez em quando, cai de amores por escritores italianos e da América Latina. Escreve como autora no blog sobre cinema e séries +Cinelivre: www.maiscinelivre.blogspot.com.b
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