Manias de Leitor – Felipe Schramm

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Segundo consta nos dicionários, mania é um costume estranho, uma esquisitice. Mesmo que talvez não se admita, quase todo mundo tem uma, duas ou um monte delas. Esses costumes tão nossos que são responsáveis até por ajudar a deixar o dia a dia mais interessante, mais nosso. Essa semana parei pra pensar em manias, e entre muitas eu percebi, sem muita surpresa, que algumas conseguia colocar em um gênero “especial”: as que envolvem a literatura e todo o universo dos livros.

Enquanto eu fazia uma lista sobre o tema (literalmente), tocava na rádio uma musica da Paula Fernandes. Então eu percebi uma das manias mais estranhas que eu tenho: relacionar livros com musicas que dificilmente combinam com a obra. O exemplo a seguir talvez desperte o espanto e o ódio geral da nação, mas o escritor que me lembra da moça do sertanejo é Stephen King. O motivo? Só Deus sabe (ou nem ele). Além disso, outra coisa sobre King é que só tenho vontade de ler os livros dele no inverno, quase certo que se eu começar a ler no verão eu não irei pra frente com a leitura até que a temperatura abaixe. Ou seja, escolher um livro pra ler é quase um ritual, algo como “a varinha escolhe o bruxo, Sr. Potter”. Envolve humor, clima, tempo, vontade e estado de espirito. Depois de “pré-aprovado” (sim, isso também), o livro tem que estar de acordo com as listas.

 Por que sou também um maníaco por listas, faço pra tudo. Tem a lista dos livros que quero ler, a dos que eu já li, a dos que eu quero comprar, a dos que eu tenho, a dos que quero ler porém não comprar, lista disso, daquilo e etc. Na verdade eu tenho um caderno (cadernos também são outra mania, mas isso é assunto pra um outro dia) só pra faze-las, caderno esse que fica guardado sempre na primeira gaveta da escrivaninha, pois vai que eu me lembre de mais um item pra adicionar. Junto com os cadernos das listas, na primeira gaveta ficam também meus marca páginas. Muitos, porque em cada livro uso pelo menos três, um pra página que parei, outro marcando o próximo capitulo e outro pra marcar a “meta” do dia, resultado do total de folhas dividido por sete ou quatorze.

Depois disso tudo, sem duvida é de se pensar que alguma mania também existe na forma de organizar os livros na prateleira. Pensamento certeiro! Mas aqui, isso é mais fácil, eles só são organizados por cor e tamanho, salvo as séries que ficam sempre juntas. O forte aqui é o ciúme que tenho deles, quase como se fossem meus filhos e merecessem todo o cuidado do mundo, porque eles merecem mesmo. Não digo que sou egoísta, se eu achar que a pessoa merece, pode pegar emprestado qualquer livro meu, mas que fique sabendo que qualquer estrago resulta em uma morte dolorosa e lenta.

Por fim, obrigado e desculpem. Obrigado por me compreender, ou ao menos tentar. Desculpem se fui invasivo demais, ou se fui um chato como aqueles personagens irritantes que às vezes aparecem nas histórias e contam a vida toda para os estranhos. Espero que não perca nenhuma amizade, nem que seja internado por algum familiar que leia esse post. Declaro para fins futuros que estou de mente sã, só com um pouco de mania de exagero talvez, mas isso já é normal pra mim.