A menina mais fria de Coldtown: os vampiros de Holly Black

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A Menina Mais Fria de Coldtown, da escritora Holly Black: uma história sobre fúria e vingança, culpa e horror, amor e ódio.

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Holly Black

Faz algum tempo, mesmo antes que Stephenie Meyer sonhasse com Edward e sua namorada humana perdidos em uma floresta chuvosa, discutindo os pecados daquela relação, que vampiros deixaram de ser criaturas do medo e se tornaram criaturas do mais puro glam. A imortalidade, a eterna juventude e, com isso, o eterno sex appeal transformaram nossos monstros em seres desejáveis; é legal namorar um vampiro (dizem), e é ainda mais legal ser um vampiro (também dizem). Mas não no universo de Holly Black. Em A menina mais fria de Coldtown, seguimos a história de Tana, uma adolescente que acaba de acordar, em meio a uma ressaca pós-festa de seu amigo de escola, para descobrir que uma matança aconteceu enquanto ela permanecia desmaiada no banheiro, e que agora seus colegas estão mortos, seu ex-namorado foi mordido e que um vampiro, um vampiro de verdade, cheio de necessidade de sangue humano, está preso com eles.

No mundo de A menina mais fria de Coldtown, como na série True Blood, vampiros são parte da realidade, tendo decidido sair do anonimato alguns anos antes da história começar. A humanidade não gostou muito da ideia: começou a isolar cidades, as chamadas Coldtowns, para conter vampiros e infectados e separá-los de mortais saudáveis.

A menina mais fria de Coldtown
A menina mais fria de Coldtown (Novo Conceito)

Ser infectado, ou mordido por um vampiro, não deixa de ser uma sentença. A urgência por beber sangue humano pode levar a vítima à loucura; e ceder ao impulso a transforma para sempre em um dos mortos-vivos, fatos que a protagonista conhece bem, desde um incidente trágico na infância. Com sua trupe curiosa de sobreviventes, ela ruma para a cidade de contenção mais próxima, na esperança de poupar aqueles que ama do monstro que teme estar se tornando.

O tema que nos segue durante a leitura inteira é o de morte, a começar pelas citações que encabeçam cada capítulo. Os vampiros não são super-humanos com uma leve alergia cintilante ao sol: eles são a morte. Estão mortos e pensam em humanos apenas como uma fonte de alimento. Qualquer autoridade que os homens pensem ter não passa de utopia, porque não há leis e nem cidades impenetráveis o suficiente para impedir vampiros de fazer o que fazem há séculos. Como acontece com a maior parte da literatura de jovens-adultos, a história é sobre o amadurecimento, a fase em que o final da adolescência se aproxima e o mundo real vem bater à sua porta; encontra-se metáforas suficientes para isso, de criaturas mitológicas a doenças e a distopias. Mas Black, que em seus romances anteriores se especializava no mundo mais macabro das fadas, aproveita para homenagear outras criaturas que povoavam seus pesadelos infantis, vampiros como ela os entende, como perigo, e não como amantes perfeitos.