Mitologia: Eros e Psiqué (parte 03) – Sté Spengler

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Parte 03: A previsão do Oráculo e o misterioso marido de Psiqué

O trágico destino de Psiqué percorreu todos os reinos vizinhos. A princesa simplesmente havia desaparecido, pobre alma! Certamente o monstro previsto pelo Oráculo havia se pronunciado. Comovidas, suas duas irmãs pediram permissão aos maridos para que pudessem vir a casa de seus pais para consolá-los.

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– Meu amor, lembra-se do rochedo em que seu pai a deixou? – Eros aguardou a resposta da esposa e então continuou – As pessoas pensam que você está morta e suas irmãs estão a caminho para chorar o luto. Elas virão até o lugar em que acreditam que você cumpriu o sacrifício.

Psiqué, que repousava a cabeça sob o peito nu do marido, ergueu-se repentinamente. A escuridão da noite engolia o quarto deles e ela não podia sequer olhar nos olhos de seu amado. Nunca pudera.

– Deixe-me ir até elas. – pediu.

– Certamente que não! Você não deve nem mesmo olhar para elas, entendeu? Elas representam uma grande ameaça à nossa felicidade.

– Meu querido marido, eu cresci ao lado delas. Eu as conheço. Não vão nos fazer mal.

Entre muitas palavras doces, carícias e súplicas Psiqué conseguiu de Eros a permissão para ver as irmãs. O deus alado até consentiu que Zéfiro as trouxesse ao palácio para que a esposa pudesse recebê-las no aconchego do lar. Porém, mesmo concordando com todos os caprichos da esposa, ele impôs uma única condição: Psiqué não cederia aos comentários peçonhentos das irmãs, não importa quais fossem.

O dia amanheceu e como todas as manhãs, Eros havia desaparecido, deixando para trás o perfumado botão de jasmim. Assim como ele havia dito a esposa, as irmãs de Psiqué foram até o rochedo e Zéfiro as trouxe ao palácio. A princesa as aguardava em sua melhor vestimenta no grande saguão.

O encontro foi maravilhoso. Elas se abraçaram emocionadas e logo a tristeza cedeu lugar a alegria. As irmãs conversaram a tarde inteira, comeram embaladas pelo doce som da harpa que os criados invisíveis tocavam e passearam pelos arredores do palácio. Por fim, resolveram sentar-se debaixo de uma árvore próxima a fonte.

– Onde está o seu marido?

– Nos encontramos apenas de noite. Ele é um homem muito ocupado.

As duas irmãs olharam entre si, desconfiadas.

No mesmo instante, lembrando-se dos avisos do marido, Psiqué resolveu que estava na hora de despedir-se das irmãs. Novamente elas se abraçaram muito e combinaram uma próxima visita.

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De volta ao rochedo, as irmãs finalmente puderam discutir tudo o que presenciaram.

– Isso não é justo! Você viu o tamanho daquele palácio? Os jardins? Viu a abundância de joias? Ela é a mais nova e possui riquezas maiores que as nossas!

– Não somente riquezas, minha irmã, mas o marido de Psiqué certamente não é mortal. Que homem comum só apareceria para a esposa durante a noite? Deve haver uma boa razão para tanto mistério.

– Ela só pode estar casada com um deus!

– Isto na melhor das hipóteses.

– Como assim?

– O Oráculo previa um monstro.