O analfabeto de Brecht

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mprext

Jaz boa parte do ano: o Carnaval já se foi; a Páscoa, passou – perdoe-me a redundância -; a Copa do Mundo se aproxima (dessa vez aqui, no Brasil) e os corações patrióticos, coloridos de verde e amarelo, inflamam-se com ardor imensurável e ali, um pouquinho mais à frente, as eleições que decidirão os caminhos que o país irá trilhar nos próximos quatro anos.

Sendo o momento oportuno, recorro a Bertold Brecht – dramaturgo alemão, morto há quase 60 anos, que inaugurou uma nova forma de ver, sentir e fazer teatro. Brecht não acreditava na possibilidade do teatro por si só de transformar o mundo, mas sim, em seu potencial de tornar os espectadores novos atores da transformação social e política.

Por considerar de extrema pertinência à cena política que o país vive e ainda por crer que uma fagulha possa servir para nos libertar da letargia que nos acomete à consciência, da vasta produção do autor, reproduzo o poema a seguir:

 

O analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve,
não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos. 

Ele não sabe que o custo da vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas. 

O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política,
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio
dos exploradores do povo.