O dia que conheci Loyola – Laysa Boeing

2
451

Tem um “e” enfático. E uma quase-careca reluzente e branca.

Eu diria que ele caberia tranquilamente num livro. Antagônico, por certo, um escritor ter características de personagem ao ponto de caber em livro. E caberia, sim. Como personagem mais cativante da história.

Foi na segunda-feira, 08, que tive o prazer de ouvir palavras, em forma de conversa e não história, saírem da boca de Ignácio de Loyola Brandão. Eu, que quando menor, ouvia seu nome ser lido pelas professoras e não sabia da existência do “g”, o vi com todos os minuciosos detalhes da sua cara enrugada e o seu sorriso mais simpático do mundo. Não falava sentado e no final ficou de cócoras para me atender e à minha turma (bando de curiosos que cobiçavam saber o que tinha na carta, afinal, do conto O Homem Que Devia Entregar a Carta).

Por quase uma hora, parei de enxergar o nome Loyola como um fazedor de palavras distante, que se escondia atrás de todos os Homens de todos os contos que eu já tinha lido, para olhar um velhinho querido que tinha muito conhecimento, tanto que dava vontade de ouvi-lo falar o dia inteiro.

Joinville é realmente boa por proporcionar uma feira do livro tão grande todo ano. E meu dia foi ainda mais mágico quando corri pelos corredores da feira repletos de barraquinhas com livro pendurado, livro em montes, em fila, em estante… Mais os pássaros de papel por toda a parte e o livro gigante que dava vontade de entrar dentro pra viajar, como o tapete de Aladin.

531850_370607486387961_534627748_n