O Evangelho segundo… Hitler?

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Ok, eu já tinha visto O Evangelho segundo Jesus Cristo de José Saramago. Mas o Evangelho segundo Hitler? (!)

O jovem de 28 anos formado em Direito, Marcos Peres, trabalha no Tribunal de Justiça do Paraná e foi o ganhador do prêmio SESC de Literatura 2012/2013 com a obra O Evangelho segundo Hitler. Trata-se de um romance de 352 páginas baseado em Tres versiones de Judas, do poeta e contista argentino Jorge Luis Borges. Junto de Runeberg, Borges nos instiga a uma compreensão além da conduta de Judas – será que o que ele fez foi realmente uma traição? Alguns interligam questionamentos dessa esfera a uma Teoria Conspiratória – teoria que visa explicar um acontecimento como parte de uma espécie de plano secreto, o que nos lembra muito Dan Brown em The Da Vinci Code.

“O homem tem a mania de achar que a realidade é mais complexa do que realmente é.” – afirma o autor d’O Evangelho segundo Hitler. Inspirado também na obra de Umberto Eco, Il Pendolo di Foucault, Peres foi capaz de construir sua própria teoria conspiratória, e assim, criticar de maneira sutil outras teorias semelhantes.

O Evangelho Segundo Hitler (Record, 2013)
O Evangelho Segundo Hitler (Record, 2013)

Mas então, como Hitler poderia estar ligado ao Evangelho? Peres diz que, depois de ler o texto de Borges, quis muito escrever sobre Judas. Quis também que Borges (como homônimo) fosse personagem de seu livro e junto a ele, o tempo em que o nazismo caminhou pelo mundo – que foi a época em que Borges viveu. Hitler perseguia judeus e Judas traiu um judeu. Juntando tudo isso, nasceu o título tão polêmico.

Peres tem uma questão muito bacana quanto ao seu processo de escrita – ele o encara como um processo de redenção. Diz que escreve sobre o que o incomoda, como uma espécie de terapia, e o dia em que não mais escrever sobre o que vive, então parará de escrever. Acho que toda pessoa que realmente nasce escritor pensa dessa maneira.

Essa semana estive lendo um artigo que comparava Adolf Hitler a dois personagens de O Rei Leão. Meu amigo e colega escritor, Juliano Rodrigues, veio com gracinha me questionar se eu era simpatizante do nazismo. Claro que não. Admito que sempre fui fascinada por tudo o que envolvesse Adolf Hitler, porque sempre tive o desejo de compreender a mente desse homem. O que realmente estava por trás de toda aquela violência? Todos temos um lado bom e outro ruim, nós somos o resultado de qual lado decidimos mostrar – pode ser romântico demais, mas é o que eu acredito.

Depois de passar por Anne Frank, Resistência, O menino do pijama listrado, Mein Kampf e vários artigos, está aí outro livro que colocarei na minha lista de leitura – em breve, quem sabe, vocês encontrarão uma nova resenha.