O sorriso que salvou a vida de Saint-Exupéry

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Um sorriso pode salvar uma vida?

Foi o que aconteceu com o autor de O Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Durante a Guerra Civil Espanhola, ele, que também era piloto de aviões, foi capturado pelo inimigo. Segundo se conta, ele seria executado no dia seguinte.

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Em agonia, enquanto aguardava na cela numa noite interminável, ele buscou um cigarro na bolsa, mas não pode acendê-lo. Faltava-lhe o fósforo, os soldados tinham lhe tirado. A situação fazia com que tremesse de nervosismo.

Naqueles últimos instantes de vida, segundo acreditava, ousou perguntar ao carcereiro:

– Por Favor, você tem fósforo?

Impressionado com a ousadia do francês, o carcereiro se aproximou e o fitou. Os olhos se cruzaram e algo aconteceu. Saint-Exupéry sorriu.

Tempos depois, ao falar sobre aquele dia, o escritor francês afirmou que não sabe por que sorriu, apresentando como única justificativa que “quando se chega perto de outro ser humano é quase impossível não sorrir”.

O carcereiro lhe retribuiu o sorriso, enquanto os dois homens se olhavam. Houve um pouco de hesitação, mas o homem que deveria ser o inimigo de Saint-Exupéry aproximou-se e acendeu o cigarro. No mágico momento, que nem a guerra e o ódio humano conseguiram ofuscar, os dois continuaram sorrindo. Saint-Exupéry começou a ver o outro como pessoa, e não como um carcereiro.

A pergunta que se seguiu surpreendeu ainda mais o escritor francês.

– Você tem filhos? – perguntou-lhe o carcereiro.

– Sim – respondeu Saint-Exupéry -, e tirou da bolsa uma foto das crianças.

O carcereiro retribuiu o gesto, entregando a Saint-Exupéry a foto de seus filhos, além de confessar-lhe todos os seus planos e esperanças para o futuro. O francês teve os olhos cheios de lágrimas, dizendo ao carcereiro que dedicaria seus últimos momentos de vida aos filhos, pois jamais os teria no colo, jamais os veria novamente. O carcereiro se emocionou e não conteve o choro.

De súbito, aconteceu algo surpreendente. Sem gesto ou palavra, o carcereiro abriu a cela e levou Saint-Exupéry para fora do cárcere e guiando-o pelas ruas em meio à noite. Depois, sem falar nada, deu meia-volta e retornou.

Quando perguntaram a Saint-Exupéry como escapou de um cárcere, que certamente deveria tê-lo levado à morte, respondeu:

– Minha vida foi salva por um sorriso do coração.