O valor de uma “curtida”

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Foto de Adam Fagen

Exatamente novecentos “amigos” na grande rede social. Não entendia bem o porquê de tantas conexões, pois desconhecia grande parte daquelas pessoas. Simplesmente fora aceitando solicitações de amizade de alguns ao longo dos anos, adicionando outros que achava interessantes ou engraçados, até que reparou no número e achou que poderia ser uma boa oportunidade de divulgar seus trabalhos.

Escrevia. Um pouco de tudo. Decidiu postar a letra de uma música que criara há alguns anos e que falava de amor, um bom tema para começar. A publicação recebeu cinco curtidas e um comentário: “bacana!”. Enfim. Talvez a letra não fosse tão boa quanto pensava.

Dias depois, resolveu apostar em uma crônica. Curtinha. Uma daquelas em que falava de política, tema que sempre mexia com os ânimos das pessoas. Obteve quinze curtidas e uma ofensa (que é melhor não reproduzir aqui). Teria sua opinião desagradado tanto? E o texto até que era bastante engraçado. Mesmo com o pouco retorno, não se abalou.

Partiu para os contos. Escolheu um de terror que havia escrito recentemente. Com ele, havia ganhado um concurso literário em sua cidade. Adicionou uma imagem chamativa a um trecho do conto e publicou o link que direcionava ao blog onde o texto poderia ser lido na íntegra. No dia seguinte, foi conferir o resultado. Total de curtidas: dezoito. Número de visualizações do conto no blog: duas.

Algumas coisa estava errada. Seus textos eram sempre elogiados quando falava sobre eles pessoalmente com quem os havia lido. Isso sem contar os incentivos que já recebera de professores e escritores que conferiram suas produções. Obviamente, não estava utilizando a ferramenta corretamente. Começou então a pesquisar sobre o assunto. Leu artigos, visitou sites especializados, conversou com profissionais que entendiam do assunto e logo percebeu seu erro.

Alguns dias depois, publicou uma foto. Na verdade, um autorretrato no qual se exibia com um novo corte de cabelo, usando óculos escuros “estilosos”, roupas de marca e fazendo uma pose clichê. Resultado: além dos incontáveis comentários (para o bem e para o mal), recebeu exatamente novecentas curtidas.

Frank Nereshttp://www.literismo.wordpress.com
Formado em jornalismo e pós-graduado em Português - Língua e Literatura. Autor do livro de contos "Mundo sem fim" (Clube de Autores). Vive em São Paulo.
Frank Nereshttp://www.literismo.wordpress.com
Formado em jornalismo e pós-graduado em Português - Língua e Literatura. Autor do livro de contos "Mundo sem fim" (Clube de Autores). Vive em São Paulo.
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