Odiava despedidas – Giseli Corrêa

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Odiava despedidas. E na verdade tinha aquela consciência um pouco estúpida de que todo mundo pensa da mesma maneira, mas continuava a odiar despedidas.

Aprendeu cedo, ou tarde demais que as pessoas vão embora, e quando perdeu a avó de forma tão repentina, mesmo que um pouco anunciada… Bem apenas descobriu que pode ser pior não se despedir. Chorou, remoeu a culpa e aceitou, descobriu que ser deixado é triste, mas superável. A percepção não fez com que aceitasse melhor as despedidas.

Despediu-se de casa e dos amigos para buscar novos horizontes e com o tempo percebeu que a saudade é outra porcaria e a partir do momento em que você se despede, ela se torna inevitável. Não fez com que visse a despedida com melhores olhos.

Parecia que estava sempre esperando a hora de voltar e transformar ausência em presença, mas não percebeu que para isso, haveriam novas despedidas, novos amigos deixados para trás… E, de repente, ser deixado pelas as pessoas que amamos, era pequeno contra deixar dezenas de pessoas que aprendeu a amar.

Por um momento culpou a vida, por ser tão inconstante, ou suas atitudes volúveis, mas existia um vilão com lugar marcado em seu peito, então culpou a despedida. Já deveria saber, de observar os menores que se recusem a dizer adeus para que você continue insistindo, se você não disser adeus é porque não está indo embora… Queria ser criança e acreditar nisso, então quem sabe sua avó nunca teria partido…

Despedida tornou-se seu algoz, na ausência e na presença. Aquela promessa de voltar assim que possível, a certeza escondida de que sempre seria difícil retornar e a falta… Despedida sempre seria saudade.

Olhando a parede repleta de imagens, percebeu que despedida é também degrau, ou passo à frente. É aprender um pouco mais, conhecer e sair. É acumular experiência e sorrir com a lembrança, aquecer na esperança de ter uma nova despedida, pois singnificaria ter os caminhos cruzados novamente.

Despedida ainda era saudade, mas as images provavam que saudade era a prova de ter vivido algo realmente bom, e chorar na despedida, era apenas extravasar todo o carinho acumulado enquanto houvera convivência.