Óh, Dirceu! – E se Ulysses se passasse no carnaval do Rio de Janeiro?

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Todo aspirante a escritor…. Corrrijo. Começo de novo. Quase todos os aspirantes a escritor, quer dizer, alguns dos … começam plagiando os seus autores preferidos. Vejam as Clarices e Rubens Fonseca existentes por aí. No início, o exercício pode ser até interessante, mas ninguém sobrevive à sombra de outra pessoa. É preciso conhecer a própria voz e expressá-la.

Mesmo sabendo disso, para não fugir à regra, escreverei o meu Ulysses, o meu James Joyce. Mas a minha versão gaiata vai se chamar Óh, Dirceu!, um trocadilho com Odisseu, que é em grego o equivalente a Ulisses em latim. Em vez de Dublin, a minha epopeia se passará no Rio de Janeiro, na cidade de décadas atrás, com direito a encontros com Madame Satã, na Lapa; Noel Rosa, na Vila; e Heitor dos Prazeres, no Estácio. Preciso saber se viveram na mesma época.

A trama será simples: tudo que se passa com o Leopoldo, o bom, durante os quatros dias de Carnaval. Fico pensando nas aliterações, nos jogos de palavras, nos pensamentos ao léu, nas associações que podem surgir num indivíduo de pileque, sob o sol de 40 graus, em pleno bloco, cantando marchinhas de carnaval – acho que farei um laboratório nesta festa de Momo.

Sim. Darei um copidesque nos personagens joyceanos. No meu futuro livro, Leopoldo será negro, malandro, boêmio, mulherengo, apontador do jogo do bicho e passista ou mestre-sala de escola de samba. Mestre-sala. Decidi agora. Sim. Ele será par da porta-bandeira Maria, a boa, apadrinhada do Dedalus, o carnavalesco da agremiação, uma bicha, escroque, que arrasta as asas para o nosso herói. Sim. Ele fará tudo para Leo não ficar com Maria.

Só uma coisa me inquieta: se no Ulysses um dia tem mais de mil páginas, quantas laudas terão quatro dias de Carnaval, no Rio de Janeiro? Se alguém roubar a minha ideia, eu juro que eu processo!